A idolatria do "amor" redentor


“Um ao outro ajudou e ao seu próximo disse: Sê forte. Assim, o artífice anima ao ourives, e o que alisa com o martelo, ao que bate na bigorna, dizendo da soldadura: Está bem feita. Então, com pregos fixa o ídolo para que não oscile.” (Is.41.6-7)


Guerras desnecessárias, desigualdade social, corrupção política, abandono da necessidade alheia, grande número de mortos por brutalidade, cidades violentas, famílias destruídas, alto índice de pessoas depressivas etc. Esses são alguns males vividos pela presente geração. Mesmo diante de tudo isso, a maior parte das pessoas não quer ouvir falar de Jesus nem muito menos de sua salvação. Com ar de piedade, elas proclamam outro caminho para a redenção desse mundo: o “amor”, atribuindo-lhe o poder de mudar todas as coisas, conceder harmonia para a vida social e trazer paz para a Terra.


Mas, teria o amor poder para transformar pessoas? Se isto fosse verdade, então toda a geração de Jesus deveria ter crido nEle. Todavia, aqueles que presenciaram o amor de Cristo, recebendo curas, ressurreição de mortos, multiplicação de alimentos e o bom ensino da Escritura, depois estavam gritando diante de Pôncio Pilatos: “Crucifica-o!” (Mc.15.13-14; Lc.23.21). Nenhuma manifestação de amor foi tão grande, pois Jesus sofreu aquela geração má com paciência e benignidade, sem desistir de sua missão de salvar os pecadores. Depois de sua morte, ressurreição e ascensão, os apóstolos continuaram pregando a Escritura e a igreja prosseguiu fazendo a obra do Senhor (At.2.42-47), contudo o amor dos discípulos não foi suficiente para alcançar sua geração; e somente “creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna.” (At.13.48).


A fim de substituir Cristo, o mundo passou a cultivar a ideia (aparentemente “bonita”, mas totalmente errada) de que o amor tem poder salvador. Por isso, contos de fadas, sustentabilidade, “direitos humanos” e diversos trabalhos sociais tem sido motivados na esperança de que tais gestos sejam capazes de dar ao mundo uma nova vida. Isso desperta em nós um questionamento: Como o mundo que odeia tanto a Deus e o despreza diariamente por meio de atitudes e conceitos, que além de ignorarem sua existência também o afrontam claramente, consegue falar tanto sobre “amor”? Jesus levantou semelhante questionamento em seus dias: “Raça de víboras, como podeis falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração.” (Mt.12.34). Esse fenômeno confunde a muitos, fazendo-os achar que as pessoas são boas, até mesmo considerando que Deus possa ser mau, tendo em vista seus justos juízos dispensados sobre os pecadores indignos.


Há duas razões para ocorrer tal incongruência: A primeira, diz respeito à natureza do “amor” propalado pelo mundo em nossos dias. Boa medida desse “amor” que o mundo proclama é, na verdade, a paixão, algo instintivo e preservativo, pois intenciona a autopreservação e autossatisfação, ou mesmo a autoglorificação. Em segundo lugar, o amor venerado em nossos dias tornou-se uma espécie de salvador, sob a ideia de que tudo é possível ao amor considerado o único capaz de mudar todas as coisas. Assim, o “autor e consumador da salvação” (Hb.12.2) está sendo trocado por outra concepção de redenção, em que o “amor” é a solução capaz de trazer felicidade e transformação para todas as pessoas.


Contudo, há grande diferença entre o amor, um atributo proveniente de Deus e o sentimento instintivo, também, denominado de “amor”, popularmente. O primeiro é santo, justo e perfeito (1Co.13.1-7); o segundo é apenas impulsivo e pode ser agente motivador dos mais terríveis pecados. Por causa do verdadeiro amor, Jesus entregou sua vida pela igreja (Ef.5.25-27), morrendo por muitos para que obtivessem justificação e vida eterna (Rm.5.16-18). Contudo, também em nome do “amor”, um suposto “amor”, pessoas tem cometido os mais bárbaros crimes, a ponto de matarem alguém em nome de um sentimento confuso e egoísta, pois o “amor”, segundo o mundo, escraviza a mente e o coração daqueles que o veneram, tornando-o uma espécie de salvação, fonte de felicidade eterna.


Que tipo de afetividade um animal doméstico tem por seu dono? Ou mesmo que tipo de relação possuem os animais entre si. Eles se apegam aos donos, mas são incapazes de refletir sobre a relação entre o amor e as demais virtudes. Eles não ponderam sobre a Verdade na qual está fundamentado o amor, atributo divino. A afetividade deles corresponde apenas a diversas combinações hormonais que os impulsionam a querer estar perto de seus donos ou de seus pares, pois isto lhes proporciona bem-estar. Tal sentimento, portanto, é egoísta, pois visa à satisfação própria. Não há virtude nisso, apenas instintos naturais em funcionamento. Algo semelhante também ocorre com os seres humanos, razão porque buscamos a procriação. Esse “amor” instintivo, também denominado paixão, não tem nenhuma relação com o atributo divino chamado de Amor.


As discrepâncias entre os frutos do amor divino e as obras resultantes do “amor” instintivo, cultivado pelos pecadores, são tão evidentes que o sentimento concebido pelo mundo pagão não pode ser confundido com o verdadeiro amor revelado pela Escritura Sagrada. O “amor” segundo o mundo segue o coração sem se importar com a razão nem muito menos com a Verdade. Porém, o amor que vem de Deus está bem firmado sobre a Verdade e a retidão, pronto para abnegar-se, a fim de glorificar aquele de quem provém todo amor: Deus (1Jo.4.8).


Portanto, além de ser uma virtude proveniente do Senhor, o verdadeiro amor não substitui Cristo, antes o glorifica, pois dEle depende e dEle provém. Por esta razão, o amor de Deus jamais conduzirá alguém à idolatria, ou seja, ao sentimento de dependência plena do outro, pois somente Deus é indispensável à vida. Esse amor não negocia nem abre mão da santidade para agradar alguém, pois tem compromisso certo com a Verdade e a Justiça, pois se origina do Senhor (1Co.13.4-7). Por isso, Deus tanto salvará aqueles que creram em Jesus quanto condenará aqueles que o desprezaram. E para aplicar salvação e juízo, Deus não deixará de ser amor, pois seu amor é justo e reto.


No entanto, o mundo está difundindo outra espécie de “amor”, sempre relacionado ao romantismo. Em nome dele, pessoas fazem juras de amor eterno, dizendo: “Sem você não vivo!” ou “Você é a razão da minha vida!” ou “Por você faço qualquer coisa!”. Por esta razão, muitos entram em depressão e perdem o propósito de viver ao ficar sem a pessoa adorada por esse amor doentio, quer cônjuge, filhos, pais ou amigos. Elas entregaram suas vidas a esse amor, confiando-lhe a felicidade, como se esse amor fosse a salvação de suas vidas. Ao atribuir a salvação ao amor, o mundo o tornou uma espécie de deus, um instrumento de redenção.


Outro problema decorrente da falsa concepção sobre o amor é o empobrecimento da pregação. Muitos cristãos limitam o evangelismo aos dizeres: “Deus ama você”. Ainda que o amor de Deus por sua igreja seja real, o Evangelho não pode ser resumido nessa frase nem se deve creditar a ela poder para transformar vidas. O Evangelho diz respeito ao nascimento, vida, morte, ressurreição e volta de Jesus. Por meio do Evangelho, o pecador conhece o plano redentor de Deus, a causa da necessidade de salvação, o meio pelo qual o Senhor proveu redenção e a promessa de vida eterna. O amor não tem poder para persuadir os pecadores nem transformá-los, mas o Espírito Santo é poderoso para convencer o homem “do pecado, da justiça e do juízo” (Jo.16.8) por meio da Verdade que liberta, a Escritura Sagrada (Jo.8.32).


A salvação não vem pelo amor nem é possível mudar o mundo por meio de sentimentos. O amor não é o poder de Deus para a salvação e transformação do pecador, pois o amor é um atributo divino, não uma força divina. Somente Deus pode conceder-nos felicidade eterna; só Cristo pode justificar o pecador; apenas o Espírito de Deus pode mudar os corações. Deus nos amou e enviou seu Filho para nos salvar, mas esse amor não é o poder de Deus para a salvação. Portanto, não atribua ao amor a solução para os problemas dos pecadores. Para transformar pecadores e salvar vidas, Deus nos deu seu Evangelho pelo qual o Espírito Santo opera nos corações. Por isso, a igreja deve pregar fielmente a Escritura, com amor, confiando tão somente que Jesus Cristo é poderoso para salvar aqueles que estão perdidos e trazer-nos um novo céu e nova terra.


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