Santos aos olhos de Deus (Sl.15)

August 8, 2018

 

“Quem, SENHOR, habitará no Teu tabernáculo? Quem há de morar no Teu santo monte?” (Sl.15.1)

 

Quantas vezes um pai precisa corrigir seus filhos, a fim de que não façam aquilo que é errado? Quantas vezes é necessário mostrar que as escolhas erradas prejudicam a vida do próprio filho? Quantas vezes o ser humano precisará ser exortado com respeito à pratica da justiça, da misericórdia, do amor, da paz, da paciência, da bondade etc? Quantas vezes você precisará se arrepender de ter errado outra vez, mesmo sabendo, antecipadamente, que não era a escolha certa? O ser humano parece ser incorrigível, pois, mesmo conhecendo o caminho do bem, não consegue viver uma vida íntegra, razão para que o mundo tenha tantos problemas sociais. Por que isso?

 

O Salmo 15 não é fruto da presunção de um artista que se considera tão bom a ponto de falar de suas qualidades. O autor não está descrevendo um autorretrato repleto de virtudes próprias. Davi bem conhecia sua natureza pecaminosa (Sl.32) e viu na pele quão devastador é o pecado do coração do homem (2Sm.11), pois nascemos “na iniquidade” (Sl.51.5). Nem sempre ele foi íntegro (2Sm.24.17); nem sempre falou a verdade (1Sm.21.13); nem sempre foi justo (2Sm.19.6); nem sempre fez o bem (2Sm.12.3). Então, já que Davi não fala de si mesmo, sobre quem o Salmo 15 está falando? Já que o homem vive pecando contra Deus e que “não há um justo, nem um sequer” (Rm.3.10), a quem se aplicam as Palavras desse Salmo? “Quem, SENHOR, habitará no Teu tabernáculo? Quem há de morar no Teu santo monte?” (Sl.15.1).

 

Inevitavelmente e inquestionavelmente, o Salmo nos conduz para Cristo, pois “foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb.4.15; 9.28). Jesus é o único homem que jamais pecou; que andou de modo íntegro; que viveu na prática da justiça; que sempre falou a verdade; que não difamava as pessoas. Ele só fez o bem, honrou aqueles que temiam ao Senhor e reprovou os desprezíveis. Nos Evangelho, encontramos todas as características do Salmo 15 na pessoa de Cristo, que “pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas” (Hb.9.12), a fim de habitar no tabernáculo de Deus, “recebido no céu”, “assentou-se à destra de Deus” (Mc.16.19; At.2.33; 5.31; 7.56; Hb.8.1; 10.12; 12.2; 1Pe.3.22). Desse modo, Jesus respondeu à pergunta do salmista e cumpriu aquilo que fora proferido por Davi, em lugar do homem pecador.

 

Todavia, o Salmo lido em Cristo deixa de ser transcendente. Por meio de Jesus, o Salmo 15 é aproximado do homem, a fim de que se torne nossa realidade, pois Deus também deseja nossa santificação (1Pe.1.15-16). Em diálogo com Abraão, Deus lhe disse: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito” (Gn.17.1). Mais adiante, o Senhor dá a lei ao povo de Israel e lhe ordena: “santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus. Guardai os meus estatutos e cumpri-os. Eu sou o SENHOR, que vos santifico” (Lv.20.7-8). O profeta Miquéias conduz Judá à santidade pessoal e social, dizendo: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus” (Mq.6.8). Desse modo, em toda a Escritura, os profetas exortaram o povo à santidade, a fim de que o NOME de Deus fosse santificado naqueles que Ele escolheu, no meio dos quais Ele habita.

 

Sem Cristo, o Salmo 15 torna-se um dilema sem solução para aqueles que temem a Deus, pois mesmo querendo fazer a vontade do Senhor, encontram uma força maior que os impulsionam para o mal, tornando-os transgressores da Lei divina (Rm.7.14-23). Por isso, nem mesmo grandes homens do passado conseguiram viver uma vida plena diante de Deus: Moisés sendo “mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm.12.3), deixou de desobedecer o Senhor (Nm.20.11); Davi, que amava Deus (Sl.18.1), não conseguiu viver uma vida sem pecado (Sl.32; 51); Pedro, que afirmou ser capaz de morrer por Cristo (Mt.26.35), o negou três vezes (Mt.26.69-75) e ainda cometeu outros erros posteriores (Gl.2.11-14); e, tantos outros personagens importantes pecaram por toda a vida. Como, então, o Salmo 15 pode ser aplicado à vida do povo de Deus?

 

O Salmo 15 é aplicado ao povo do Senhor por meio da justificação de Cristo e através da santificação do Espírito de Deus. Ao justificar o pecador por meio de seu sangue, Jesus imputou sua plena fidelidade à Lei do Senhor à vida daqueles que creem (Mt.5.17//Rm.5.1). Pela fé tornamo-nos um só com Cristo (Rm.12.5), identificados nEle, de modo que morremos sua morte e ressuscitamos em sua vida (Rm.6.4-5; Gl.2.20), recebendo, pela fé, toda a justiça praticada por Jesus. Nós mentimos, mas Jesus falou a Verdade por nós; nós desobedecemos, mas Cristo cumpriu toda a Lei por nós; nós fizemos o que é mal, mas Jesus só fez o bem em nosso lugar; nós fomos derrotados pela carne tantas vezes, mas Cristo a venceu por nós e nos deu sua vitória. Não procedemos com integridade, não mostramos dignidade, mas Aquele que vive em justiça e retidão, confiou-nos sua justiça para que jamais sejamos abalados (Sl.15.5).

 

Mas, a justificação é a primeira parte da obra redentora, pois aqueles que Deus justificou também deseja que vivam de modo santo, puro e agradável a Ele (Rm.12.1; 1Co.6.20; 1Ts.5.23). Para isso, o Senhor nos deu Seu Espírito Santo, por meio do qual a carne é vencida, as vontades pecaminosas são controladas e os maus desejos são superados, pois a mente-coração do homem é tomado pelo Espírito de Deus, que capacita o cristão a viver uma nova vida santa e irrepreensível em acordo com a justiça que nos foi imputada. O Salmo 15, então, aplica-se, também, à vida daqueles que são cheios do Espírito Santo (Ef.5.18), segundo a promessa de Deus: “Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis” (Ez.36.27).

 

Portanto, Jesus trouxe a vida e as promessas do Salmo 15 para o homem através da justificação e santificação; do sangue vertido na cruz e derramar do Espírito sobre a igreja. Agora, então, podemos ler o Salmo 15 sem pesar e sem medo. Agora, podemos aplicá-lo à vida das pessoas, àquelas que creem e andam em Cristo Jesus. Agora, podemos alimentar a esperança de uma nova vida santa e agradável a Deus naqueles que outrora foram escravos do pecado, “fazendo a vontade da carne e dos pensamentos” (Ef.2.3) de modo incontrolável, naqueles que eram incapazes de dominar a própria natureza pecaminosa.

 

Você quer estar para sempre com Cristo, onde “Deus habitará” com seu povo (Ap.21.3)? Então, você precisa de Jesus, o justificador, e do Espírito Santo, o santificador. O Salmo nos adverte a não confiar na própria justiça, pois jamais será suficiente para satisfazer os perfeitos critérios divinos. Assim, o Salmo 15 nos conduz para Cristo e para a necessidade de se viver uma vida cheia do Espírito Santo, sob o controle do Espírito de Deus (Ef.5.18). Então, busque ao Senhor e se encha do Espírito por meio de uma vida de oração e constante meditação na Palavra de Deus, falando com o Senhor e ouvindo a voz de Deus, para uma vida em acordo com as Palavras do Salmo 15.

 

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