O clamor de Cristo

September 8, 2018

 

 

“Ouve, SENHOR, a causa justa, atende ao meu clamor...” (Sl.17.1)

 

É quase impossível viver nesse mundo pecador sem sofrer algum tipo de desânimo. O mundo, o pecado e o diabo contribuem das formas mais variadas para tornar difícil, cansativa e errante a vida do homem (Gn.3.18). A queda de Adão e Eva atraiu sobre a humanidade esses três inimigos que se apoderaram do homem como senhores de sua vida, escravizando sua razão e seus sentidos (Ef.2.1-3). A angústia, então, tornou-se parte desse mundo caído (Rm.8.18-23) que não consegue ver além do universo material que o cerca (Fp.3.19).

 

Esse triste cenário está presente como contexto histórico de toda a história redentora. Por essa razão, encontramos no livro de Salmos tantos lamentos ecoados, principalmente, do coração do rei Davi. Todavia, seus salmos de clamores não são murmurações de alguém que nunca está satisfeito com a vida. Seus clamores são motivados por perseguições reais sofridas da parte de seus mais variados inimigos, pois até mesmo seu filho Absalão tentou mata-lo (Sl.3). E nesses dias de angústia, odiado e perseguido por muitos, Davi recorria ao Senhor, pois nEle se refugiava. Assim, Davi não pecava, evitando tanto a vingança desmedida quanto a confiança em sua própria força, porque preferia esperar na salvação do Senhor.

 

A confiança de Davi em meio ao sofrimento tem confortado e fortalecido muitos cristãos de todas as gerações. Todavia, mais que um conforto, suas palavras nos remetem a Cristo, Àquele que sofreu não só os pecados dos homens, mas, ainda, a ira do Deus Todo-Poderoso em nosso lugar, a fim de nos salvar. Cristo foi “tentado em todas as coisas” (Hb.4.15) e esbofeteado por Satanás que, por meio de Judas e da liderança judaica da época (Lc.22.1-6), o levou até a cruz, arrastando-o para a morte. Desse modo, os três grandes inimigos do homem (pecado, mundo, diabo) perseguiram Cristo, a fim de destruí-lo a todo custo. E no Salmo 17, temos, então, a impressão que o Filho de Deus clama, por boca de Davi, preanunciando seu profundo sofrimento tendo em vista que todos os inimigos do homem se voltaram contra Ele.

 

Por entre as linhas do clamor de Davi, encontramos o caráter de Cristo. Sua oração “procede de lábios não fraudulentos” (Sl.17.1), pois “não transgride”, afirmando com convicção que “iniquidade nenhuma encontras em mim” (Sl.17.3). A integridade do salmista é singular, “guardado dos caminhos do violento” (Sl.17.4), seus “pés não resvalaram” (Sl.17.5). Diferente do que o apóstolo João declara (1Jo.1.8), o salmista não é tido por mentiroso em afirmar sua completa integridade. Ele é justo, puro e reto, não encontrando em seu coração e lábios pecado algum. E sua glória encontra-se na semelhança do Senhor, pois diz: “Eu, porém, na justiça contemplarei a Tua face; quando acordar, eu me satisfarei com a Tua semelhança” (Sl.17.15).

 

Para entendermos melhor tais palavras ditas por Davi, recorremos ao modo pelo qual o apóstolo Pedro interpretou outro dos Salmos messiânicos: “não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção” (Sl.16.10). Segundo Pedro, as palavras do Salmo 16 não se cumpriram em Davi, pois “ele morreu e foi sepultado, e o seu túmulo permanece entre nós até hoje.” (At.2.29). De modo semelhante, após conhecermos a revelação bíblica sobre a vida de Davi, podemos afirmar que a justiça, pureza e retidão de suas palavras não devem ser atribuídas à vida deste grande rei que pecou diversas vezes (Sl.32; 38; 51), mas, sim, à impecabilidade do Filho de Deus, Àquele que foi “tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb.4.15) e que “aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação” (Hb.9.28).

 

Agora, tendo o conhecimento do contexto histórico e do papel profético do Salmo 17, podemos aplica-lo corretamente a nossa vida. Lembramos, então, das palavras do próprio Senhor Jesus que disse: “Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa” (Jo.15.20). Ou seja, nossa identificação com Cristo tornou-nos participantes tanto de sua glória quanto de seu sofrimento, de modo que, como Ele clamou por auxílio do Pai, também clamamos para que Deus nos ajude em todas as nossas fraquezas e necessidades.

 

O Salmo 17 nos conduz para Cristo em quem devemos ter plena confiança, pois tanto é justo em todo seu proceder quanto justificador de todo aquele que nEle crê, pois sofreu injustamente para nos livrar da divina ira vindoura. Portanto, quando você se sentir injustiçado, lembre-se de Cristo que sofreu todas as afrontas injustamente em nosso lugar (Is.53; Fp.2.5-8); quando você se sentir desamparado e perseguido, lembre-se que Cristo foi tentado, maltratado e morto por nós, vencendo todos os inimigos do homem, a fim de garantir a nossa redenção (Cl.2.13-15). E quando pensar que não há mais esperança para você, lembre-se que Cristo venceu todos os nossos inimigos e está sentado à destra do Deus Todo-Poderoso, intercedendo por nós (Ap.5). Desse modo, o salmo 17 nos encoraja a confiar naquele que se identificou conosco para que nos identificássemos com Ele e recebêssemos suas bênçãos e salvação.

 

Portanto, em Cristo não estamos desamparados, ainda que o mundo inteiro se volte contra o cristão. Por meio do Senhor Jesus, somos chamados de filhos de Deus, justificados por seu sangue e santificados pelo poder da Palavra e do Espírito do Senhor. Ele nos guarda “como a menina dos olhos” (Sl.17.8), preservando-nos para o dia do Senhor Jesus quando seremos recebidos na vida eterna. Então, conforte seu coração com as promessas do Senhor, pois Aquele que pagou o preço de nossa redenção é poderoso para nos guardar até o dia final.

 

Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?  32 Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?  33 Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica.  34 Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.  35 Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?  36 Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro.  37 Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.  38 Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes,  39 nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Rm.8.31-39)

 

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