A amizade cristã

November 9, 2018

 

“Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente” (1Pe.1.22)

 

Após ter dado ao homem a responsabilidade de cuidar de toda a criação, Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gn.2.18). Esta frase diz muito sobre o que Deus queria para o homem, e a indicação da necessidade de uma esposa é uma das ideias. Naquele momento, o Senhor mostra seu propósito de que o homem viva em sociedade, na qual pudesse AMAR e SERVIR, vivendo os atributos comunicáveis de Deus e as responsabilidades confiadas para Adão.

 

Ao receber Eva, Adão ganhou uma amiga. Após o nascimento de seus filhos, Adão teria outros amigos com os quais pudesse viver a beleza de um relacionamento perfeito que refletisse a grandeza do amor divino. Portanto, a partir da relação familiar, o homem teve a solidão trocada por relações fraternas; Adão ganhou amigos para amá-los e servi-los, conforme posteriormente nos diz o apóstolo Paulo: “sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor” (Gl.5.13).

 

Uma das conclusões que podemos tirar de Gênesis 2.18 é que Deus não quer que o homem viva solitário, conforme dizem o livro de Salmos e o livro de Provérbios: “Deus faz que o solitário more em família” (Sl.68.6) e “O solitário busca o seu próprio interesse e insurge-se contra a verdadeira sabedoria” (Pv.18.1). Em Lamentações, o profeta Jeremias fala da solidão como um jugo posto sobre aqueles que iriam para o cativeiro: “Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto esse jugo Deus pôs sobre ele” (Lm.3.28). Portanto, desde o princípio, Deus quis, para si, um povo, no qual seu Filho seria glorificado tanto pela vida quanto pela morte na cruz.

 

Toda a revelação da história redentora ocorre dentro de sociedades. Inicialmente, a esposa seria a melhor amiga do homem, e vice-versa. Um casal vivendo como melhores amigos, um do outro, dividindo não somente a mesma cama, o mesmo teto, mas, ainda, os planos, os sonhos, os assuntos, o trabalho etc. Observamos isso na cumplicidade presente no casamente de Abraão e Sara que dividiram lutas e esperanças durante a longa jornada que tiveram juntos até a morte de Sara, aos 127 anos de idade (Gn.12.10-20; 16.1-14; 18.1-15; 20.1-18; 21.1-14).

 

Mas, a amizade não é restrita ao relacionamento familiar, afinal, diz Provérbios 18.24 que “há amigo mais chegado do que um irmão”. Em Gênesis, Abimeleque tem um amigo muito próximo chamado Auzate (Gn.26.26) e Judá tem um amigo chamado Hira (Gn.38.12). Davi teve alguns amigos como Husai (2Sm.15.37), mas um deles era mais chegado que um irmão: Jônatas (1Sm.18.1//Dt.13.6). Davi teve, ainda, outros amigos que o ajudaram lutando a seu lado nos momentos mais difíceis (2Sm.15.14-23). Todos esses amigos de Davi lhe foram importantes tanto na alegria quanto na tristeza, tanto na paz quanto na guerra, e Deus usou os amigos de Davi para protege-lo diversas vezes dos inimigos que tentaram tirar-lhe a vida. A amizade foi um recurso muito importante para o grande rei de Israel.

 

Nos evangelhos também encontramos importantes amigos. Considerando que os discípulos de João Batista andavam com ele, à semelhança do que ocorreu com Jesus e seus discípulos (Mt.9.14), podemos dizer que João Batista teve amigos, mesmo vivendo parte de sua vida no deserto da Judéia (Mt.3.1). Jesus chamou seus discípulos de amigos (Lc.12.4; Jo.15.14,15) e se referiu a Lázaro como “nosso amigo” (Jo.11.11). Dentre os discípulos, Jesus separou Pedro, Tiago e João com os quais conversava mais (Mt.17.1). E dentre esses três, Pedro aparece como aquele que mais estava presente no ministério de Jesus (sugestão de leitura: http://voxscripturae.blogspot.com/2018/10/tu-es-pedro.html). Cristo andava, conversava, orava e dividia o dia a dia com seus discípulos (Mt.9.10; 12.1; Mc.3.7; 8.10; Jo.2.1-2; 3.22; 6.3; 18.1). Ele compartilhou com eles suas angústias (Mt.26.38) e contava com a ajuda deles no dia a dia (Jo.4.2). Foram esses amigos que testemunharam a morte e ressurreição de Jesus, para a anunciarem ao mundo (At.2.32).

 

Em nenhum dos exemplos de amizade, encontramos pessoas perfeitas (a não ser Cristo Jesus). Todavia, as amizades eram duradouras e edificantes. Amigos lutaram uns pelos outros e Cristo mostrou que devemos até mesmo estar prontos para morrer uns pelos outros (Jo.13.34,35). Muitas virtudes devem estar presentes nas amizades, sobrepondo os muitos defeitos naturais do homem pecador. Por isso, a Escritura diz que os cristãos devem suportar, perdoar, consolar, edificar e exortar uns aos outros, de modo que o pecado não corrompa nem a vida nem os relacionamentos cristãos:

 

“Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós” (Cl.3.13).

“Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo” (1Ts.5.11).

“pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (Hb.3.13).

 

A amizade cristã exige virtudes, dentre elas: 1) A confiabilidade decorrente da integridade de quem deve ser verdadeiro em todo tempo, não vivendo de aparência (falsidade), estando pronto para exortar quando houver pecado, confortar quando houver sofrimento e motivar diante das lutas da vida. 2) A forte presença do prazer em servir, pela satisfação em abençoar o outro, tanto lutando na guerra para defender o amigo quanto compartilhando as coisas mais simples do dia a dia. Essas duas virtudes se expressarão naturalmente por meio do amor de Cristo que nos foi dado não somente como exemplo, mas, também, por meio do operar do Espírito Santo em nosso viver (Gl.2.20; 5.22-23), para que possamos amar como Cristo nos amou (1Jo.4.7-21).

 

A amizade solidificada em Cristo é uma bênção do Senhor, de modo que o Novo Testamento ordena que os cristãos se amem assim como Cristo nos amou (Jo.13.34-35), “esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef.4.3). A igreja deve estar repleta de relações fraternas saudáveis e abençoadoras. São esses amigos que nos exortam quando erramos; nos consolam quando choramos; nos ajudam quando precisamos; nos levantam quando caímos; nos edificam por meio do compartilhar da Palavra de Deus; nos defendem em meio às ameaças desse mundo mau; nos apontam Cristo por meio de uma vida cheia do Espírito do Senhor; ouvem nossas angústias, nossos problemas e nossas conquistas do dia a dia; e, ficam ao nosso lado em todo tempo. É esse tipo de amigo que Deus quer que sejamos! É esse tipo de amigo que nós tanto precisamos!

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