A bênção do descanso no Senhor

“Lembra-te do dia de descanso, para o santificar” (Ex.20.8)


Que trabalhador se esqueceria de descansar? Todavia, não podemos ignorar que há diversas pessoas que gostam de trabalhar e gostam de seu trabalho, de modo a dedicar-se acima do normal. Mesmo assim, a questão vigente no quarto mandamento não é falta de memória nem a satisfação em trabalhar, mas a necessidade de se confiar plenamente em Deus que “a seu tempo, lhes dás o alimento. Abres a mão e satisfazes de benevolência a todo vivente” (Sl.145.15-16). O Senhor “dá sustento aos que o temem; lembrar-se-á sempre da sua aliança” (Sl.111.5), por essa razão “inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem” (Sl.127.2).


Toda família deveria lembrar de sua dependência de Deus. Uma das formas de fazer isso é orando ao Senhor antes de cada refeição. Também, deve-se agradecer pelo trabalho dos membros da família, como expressão da consciência de que tudo vem do Senhor. Dar o dízimo a Deus é outra forma de mostrar gratidão e dependência do Senhor, pois tudo vem dEle e pertence a Ele. Além dessas maneiras de mostrar consciente dependência de Deus, os pais devem ensinar aos filhos a importância de descansar em Deus por meio da obediência ao quarto mandamento, mostrando plena confiança no Senhor.


No quarto mandamento, Deus exige que todos os homens confiem no Senhor que lhes deu o mantimento desde o Éden (Gn.1.29-30). Esse é um dia para lembrar que todas as coisas vêm do Senhor, não das mãos do homem, e que o Senhor é a herança de seu povo (Sl.16.5), não o dinheiro nem os bens. Por isso, Jesus nos ensinou a orar assim: “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mt.6.11). Parece-nos que a melhor aplicação do quarto mandamento encontra-se em Mateus 6.19-34, quando Cristo convida seu povo a confiar plenamente em Deus, buscando primeiramente “o seu reino e a sua justiça” (Mt.6.33):


Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; 20 mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; 21 porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. 22 São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; 23 se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão! 24 Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. 25 Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? 26 Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? 27 Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? 28 E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. 29 Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. 30 Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? 31 Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? 32 Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; 33 buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. 34 Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal. (Mt.6.19-34)


O quarto mandamento é uma resposta contra toda avareza do homem, um tratamento contra toda ansiedade do coração, uma exortação à plena confiança em Deus, um convite a buscar “em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça” (Mt.6.34). Por isso, no dia de descanso, o Senhor Jesus trabalhou intensamente pregando a Palavra de Deus e curando toda sorte de enfermidade, conduzindo, assim, as pessoas para o Pai, a fim de que elas se alegrassem no Senhor que havia visitado seu povo por meio de seu enviado. Por não compreenderem o quarto mandamento, os fariseus pensavam que Jesus estava quebrando a Lei ao curar as pessoas no dia de descanso (Mt.12.2), sem de darem conta de que Cristo não o fazia para seu benefício nem para obter lucro algum de seu trabalho, mas como manifestação da presença de Deus entre o povo.


O quarto mandamento diz que devemos trabalhar seis dias e descansar um dia. Portanto, o princípio é 6 por 1. O brasileiro, como é de costume, vai além e descansa 5 por 2, principalmente funcionários públicos. O comércio, com toda sua avareza, quebra o mandamento e trabalha 7 por 1. Algumas pessoas entendem que se deve guardar exclusivamente o sétimo dia da semana chamado, também em nosso país, de sábado. Portanto, para essas pessoas, o domingo deveria ser um dia de trabalho, pois, caso contrário, estarão descansando dois dias por semana. O cristianismo chamado ortodoxo entendeu que o dia mais adequado seria aquele em que Cristo ressuscitou, razão para existir o nome latino: domingo, que significa dia do Senhor.


Em nosso texto queremos ressaltar apenas o princípio presente no quarto mandamento: “seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas, o sétimo dia é o descanso do SENHOR, teu Deus” (Ex.20.8-9). Tendo em vista que é um mandamento, semelhante aos três mandamentos anteriores (Ex.20.3-7) e aos seis mandamentos posteriores (Ex.20.12-17), ele deve ser observado e praticado. Jesus disse que a Lei é resumida em dois mandamentos: Amar a Deus e amar ao próximo (Mt.22.36-40). Considerando que o quarto mandamento faz alusão tanto a Deus quanto ao próximo, podemos dizer que deve ser posto em prática por amor a Deus e por amor ao próximo, também.


Portanto, convocar a família para descansar em Deus é um mandamento importante e precisa ser ensinado pelos pais a partir de seu exemplo. Nossa geração está estressada, ansiosa e depressiva. Até crianças e adolescente já apresentam sintomas semelhantes, pois o mundo quer viver por suas próprias forças, correndo atrás de ter sempre mais, como se a vida dependesse disso. Famílias inteiras são motivadas a viver do consumismo, a buscar o enriquecimento, a viver de aparência e status. Assim, o homem corre e se cansa, mas não sai do lugar. Os pais precisam viver e ensinar o descanso de Deus, uma bênção para a saúde espiritual e física do ser humano.


O descanso em Deus é, ainda, um remédio contra o hedonismo já que o propósito do dia de descanso não é apenas satisfazer o coração, mas alegrar-se em Deus. Por isso, “o sétimo dia é o descanso do SENHOR” (Ex.20.10), não apenas o nosso descanso. O dia de descanso é uma bênção divina para nós, pois “o dia de descanso foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do dia de descanso” (Mc.2.27). Este dia nos lembra que não somos escravos do trabalho nem existimos para ele, pois nosso sustento vem do Senhor e fomos criados para o louvor de sua glória (Ef.1.12). Mas, a bênção do quarto mandamento não se resume ao benefício de descansar e estar com a família, pois estende-se ao deleite de desfrutar da presença de Deus, como disse o salmista: “na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente” (Sl.16.11).


Portanto, pais, ensinem aos filhos o deleite de estar na presença do Senhor. Para isso, será necessário que vocês, pais, tenham prazer em estar diante de Deus, alegria em orar ao Senhor e plena satisfação em ouvir a doce voz do Criador ecoando das Escrituras Sagradas. Por conseguinte, os filhos verão que os pais são felizes pelo fato de andarem com Deus diariamente. O chamado para descansar no dia do Senhor soará, então, como algo bom e deleitoso para toda a família, pois será um dia para passar mais tempo na presença de Deus.



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