Escudeiros na guerra contra o pecado

April 15, 2019

 

 

“Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão” (Ec.4.12)

 

Você tem sido um escudeiro(a) para seu cônjuge na guerra contra o pecado? Ou só faz o papel de acusador? Não é difícil fazer o papel de acusador (Zc.3.1), afinal o ser humano está sempre atento aos pecados do outro (Mt.7.3) e tem língua afiada para condenar o pecador (Jo.8.7). Por isso, é tão fácil apontar os erros das pessoas e tão comum casais trocarem inúmeras acusações que visam mostrar que o cônjuge é mais pecador. Assim, a mulher faz questão de lembrar todos os erros cometidos pelo marido ao longo de seus anos de casados e o esposo procura relembrar tudo que o desagradou no casamento, até as visitas à sogra, para não se sentir mais pecador do que a esposa.

 

Enquanto observar as pessoas, a fim de acusá-las de seus erros, é uma tarefa fácil e comum ao ser humano, ajudar as pessoas a não pecarem é um exercício trabalhoso que exige paciência, perseverança e abnegação. É preciso paciência, porque muitos erros são cometidos ao longo da caminhada conjugal e diversos deles serão repetidos algumas vezes. A perseverança é necessária, porque as pessoas não mudam de uma hora para a outra, mas são transformadas aos poucos pelo operar da Palavra de Deus e do Espírito do Senhor, no coração. E a abnegação é imprescindível, porque tantas vezes os cônjuges deverão abrir mão da própria vontade, a fim de ter paciência e perseverança, mantendo-se firmes à aliança firmada pelo matrimônio. O cuidado necessário com o casamento exige a disposição de negar a si mesmo, a fim de fazer o que é melhor para o amadurecimento e bem-estar da família.

 

Nos dias em que se guerreava com espadas, lanças e outras armas brancas, a presença do escudo era de fundamental importância para proteger o guerreiro dos ataques inimigos. Além de suas armas pessoais, os principais guerreiros (pessoas nobres) costumavam ter um escudeiro, ou seja, alguém que tinha o propósito de estar ao lado para proteger, livrando o guerreiro de ataques surpresas, inesperados e não percebidos. Portanto, seu objetivo não era se proteger nem mesmo atacar, mas guardar seu senhor (a quem o escudeiro servia) dos ataques inimigos. Por isso, conseguir livrar seu senhor da morte era tanto uma obrigação quanto uma honra, pois indicava o bom cumprimento de seu dever, assim como a falha em cumprir seu dever de proteger seria um grave delito, podendo ser punido com a morte.

 

Tendo em vista o importantíssimo papel do escudeiro frente as batalhas, desejamos comparar o cuidado que um cônjuge deve ter com o outro ao dever de um escudeiro. Ou seja, os cônjuges devem ser como escudeiros protegendo um ao outro contra todas as ameaças desse mundo pecador, já que, inevitavelmente, estamos todos em um campo de batalha em que há adversários por todos os lados. O comércio procura atrair pessoas para uma vida fútil de vaidade; as propagandas atraem pessoas para uma vida vazia e avarenta; e, a mídia motiva todos a se entregarem aos desejos do coração, deixando-se guiar pelas emoções tão enganosas. Más conversações, insinuações sensuais, exposição de nudez na TV, outdoors, ruas etc., seduções no trabalho etc. atacam diariamente a família procurando arrastá-la para um abismo sem fim. Os cônjuges, então, precisam se cuidar diariamente.

 

O casamento é uma bênção de Deus para o ser humano e está envolto de muitas delícias tanto físicas quanto emocionais. Todavia, a bênção do casamento não finda nos prazeres que nele podem ser desfrutados. O casamento é um grande instrumento contra a prostituição e todo tipo de imoralidade sexual, pois os cônjuges têm a valiosa missão de proteger um ao outro dos mais variados ataques do mundo maligno que procura arrastar pessoas por todo tipo de tentação. Portanto, mais que fiscais que observam o que o outro está fazendo, os cônjuges são escudeiros que estão presentes ao lado da pessoa amada para ajudá-la a se proteger dos terríveis ataques inimigos.

 

A família é a escola da vida onde, quando pequenos e dependentes dos pais, aprendemos a amar a Deus e viver para sua glória, sendo preparados para as responsabilidades que ainda virão por meio do trabalho, do casamento e da paternidade. E no casamento, o amadurecimento do ser humano tem continuidade, pois os dois alunos (marido e esposa) continuarão sendo ensinados pelo Senhor, através da Sagrada Escritura. Quanto mais maduros forem esses dois alunos (marido e esposa) melhor será o casamento. O mais importante, portanto, não é o quanto eles conhecem um ao outro, mas o quanto eles conhecem ao Senhor e a sua vontade para a vida matrimonial, conscientes dos deveres conjugais de cada um. O bom aluno é aquele que faz todas as suas obrigações e quando provado é aprovado por ter se preparado bem.

 

Em nossos dias, poucas pessoas são preparadas para casar, pois a ênfase sobre a vida material mudou a educação familiar. Antigamente, o jovem aprendia com os pais como ser um bom marido e um bom pai, o que incluía ser responsável no exercício do trabalho, por meio do qual sustentaria sua família. A moça aprendia com a mãe a ser uma esposa dedicada e submissa e uma mãe zelosa e responsável, verdadeira auxiliadora do marido no cuidado com a família. Hoje, os pais insistem em conduzir os filhos para uma boa profissão e retardam ao máximo o casamento. Os pais colocam os filhos nas melhores escolas, mas não lhes ensinam a cuidar de uma casa; pagam universidades caras para as filhas, mas não lhes ensinam a fritar um ovo; põe os filhos em todo tipo de cursinho, mas não lhes ensinam os deveres conjugais nem paternos. Por isso, temos tantos bons profissionais com famílias destruídas, que conseguem gerir uma empresa, mas não são capazes de cuidar do próprio lar, pois nem mesmo sabem quais são as suas obrigações conjugais nem paternas. Você sabe quais são suas responsabilidades conjugais e paternas? De que adianta ser bem-sucedido profissionalmente, se aquilo que é mais valioso está sendo destruído por suas próprias mãos?

 

Em Eclesiastes 4.9-12 (texto abaixo), Salomão nos conta a vantagem de ter alguém andando ao nosso lado, já que as relações humanas servem de instrumento para um abençoar mútuo, tanto demonstrando a beleza do amor de Deus quanto a necessidade que todos nós temos de receber auxílio nas lutas travadas no dia a dia da vida. O Salmista Davi nos diz que a vida familiar é uma bênção do Senhor, pois “Deus faz que o solitário more em família” (Sl.68.6) e Provérbios adverte que “o solitário busca o seu próprio interesse e insurge-se contra a verdadeira sabedoria.” (Pv.18.1). Em todos esses textos, Deus nos ensina que a vontade dEle é que o ser humano viva em família, no meio da qual podemos ser alvos do trabalhar gracioso do Senhor.

 

melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade. (Ec.4.9-12).

 

Encontramos em Provérbios, ainda, a seguinte orientação sobre a bênção do casamento concedido por Deus ao homem: “Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade, corça de amores e gazela graciosa. Saciem-te os seus seios em todo o tempo; e embriaga-te sempre com as suas carícias.” (Pv.5.18-19). O prazer não é resultado do pecado, como alguns pensam. Antes, a Escritura nos diz que Deus criou a mulher e a deu para o homem, a fim de que fossem uma só carne (Gn.2.18-25), ou seja, para que tivessem uma vida conjugal com todos os seus deleites. Deus fez o ser humano com a capacidade de sentir prazer e quis que o prazer fosse compartilhado dentro de uma aliança (o casamento) para alegria do homem e da mulher, para o louvor da glória de Deus que tudo criou.

 

Mas, o pecado entrou no mundo e destruiu sua harmonia e pureza. Por causa da natureza pecaminosa, do mundo que jaz no maligno e do diabo que deseja devorar o povo de Deus (Ef.2.1-3; 1Pe.5.8), o dia a dia do cristão é uma constante batalha contra a carne. Por isso, como um escudeiro que tem o propósito de proteger o guerreiro, os cônjuges devem ser instrumentos de Deus para proteger um ao outro contra os muitos ataques do mundo, sabendo que a carne é fraca (1Jo.5.19; Mt.26.41). Vaidade, orgulho, consumismo, avareza, prostituição, pornografia, preguiça, maledicência, mentira, desonestidade, impaciência, maldade, descontrole etc. são alguns dos pecados contra os quais os cônjuges devem lutar, ajudando um ao outro a vencê-los. Para isso, os cônjuges deverão estar atentos ao conhecimento de Deus, cultivando uma vida com Cristo, de modo que possam mostrar ao cônjuge qual o caminho reto ensinado pela Palavra de Deus.

 

Portanto, cultivem uma vida piedosa em família. Um lar constantemente alimentado pela Palavra de Deus, tanto em casa quanto junto à igreja, estará preparado para os ataques de parasitas perniciosos que desejam adoecer a família. O marido, então, não deve alimentar a vaidade nem o consumismo da esposa; a mulher deve ajudar o marido a combater o orgulho e cultivar a verdade, a paciência e o domínio próprio junto a ele. Ambos devem estar atentos, para não deixarem que as conversas em família tenham como assunto a vida dos outros. Dessa forma, tanto os cônjuges estarão ajudando um ao outro a viverem uma vida agradável a Deus quanto serão modelo para os filhos, ensinando-lhes a viver uma vida piedosa, com toda humildade e todo respeito (1Tm.3.4).

 

Toda pessoa tem defeitos e esses defeitos costumam incomodar o outro, nas relações. Não seria bom que, em vez de se mostrar incomodado com o defeito do outro, um cônjuge estivesse disposto a ajudar o outro a corrigir seus erros e amadurecer o caráter para não mais cometer os mesmos erros? Mas, para que isso seja possível é necessário tanto a disposição para ajudar quanto o interesse em ser ajudado. Quando não há a consciência da necessidade de mudar nem o interesse em receber ajuda, o papel de escudeiro do cônjuge torna-se mais difícil, pois terá que correr muito atrás do outro para o defender. Portanto, o maior inimigo da necessidade mútua de ajudar e ser ajudado é o orgulho. Por causa do orgulho, as pessoas preferem esconder e negar seus defeitos, lutar sozinhas para resolver seus problemas e ainda transferir o erro para o outro. O orgulho é um grande inimigo do casamento e tem sido motivo para muitas relações sofridas.

 

Como dissemos antes, há muitos pecados que devem ser combatidos dentro do casamento. O cônjuge precisa ter maturidade para perceber isso e ajudar o outro a vencer os pecados por meio da Palavra de Deus e da oração. A missão do cônjuge não é acusar, mas ajudar por intermédio da Escritura Sagrada. Não se corrige nem se educa pessoas por meio de opiniões pessoais, pois aquilo que eu acho não serve de regra para as demais pessoas. Para corrigir e educar pessoas, precisamos de um ensino verdadeiro e absoluto que tenha real autoridade para exortar o ser humano. Portanto, é necessário que a Palavra de Deus seja conhecida. Por meio dela, as pessoas poderão ser convencidas de seus pecados e transformadas para uma vida santa e agradável a Deus. Por meio da Escritura Sagrada, podemos mostrar uns aos outros o que Deus quer de nós e para nós. E por meio da oração, colocamos o cônjuge diante de Deus, a fim de que o Senhor quebrante o coração através do Espírito Santo, para que esteja pronto para ser trabalhado pela Palavra de Cristo.

 

Uma das formas de um proteger o outro é através do cumprimento de um importante dever conjugal: a relação sexual.

 

O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido.  4 A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher.  5 Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência. (1Co.7.3-5)

 

Não devemos subestimar a necessidade sexual nem as muitas tentações do mundo. Nossos dias se mostram bastante desafiadores, principalmente para o homem. A sensualidade é exaltada e exposta para crianças, adolescentes, jovens e adultos. A internet facilitou o acesso a todo tipo de pornografia e a falta de bom senso de muitas mulheres que andam quase nuas nas ruas exige um cuidado constante com o olhar. Diante de tudo isso, os cônjuges precisam ser mais que fiscais do outro, devem ser um socorro bem presente para suprir a necessidade do marido ou da esposa. Por isso, a relação sexual não depende do interesse de ambos, mas da necessidade de um deles apenas. Uma esposa sábia vai atrás de seu marido, para cativá-lo e saciar suas necessidades, em vez de estar fugindo da relação sexual por meio de desculpas injustificadas que colocam o marido em zona de risco diante do mundo tentador.

 

Enquanto cônjuges são negligentes com suas responsabilidades deixando de dar ao outro o prazer sexual, o mundo está bastante atento a estas necessidades e disposto a oferecer todo tipo de satisfação sexual, esperando apenas uma oportunidade para arrastar alguém pelas tentações. Portanto, uma esposa ou esposo, que não cumpre seu dever matrimonial, entregando seu corpo ao cônjuge para proporcionar-lhe satisfação sexual torna-se cúmplice do mundo e culpado diante das quedas do outro, pois negligenciou seu dever e expôs o cônjuge às tentações do mundo. E para que nada disso aconteça, melhor é prevenir do que remediar. Então, marido e esposa, vocês devem dar a devida atenção para a necessidade de estar sempre satisfazendo um ao outro no dia a dia, protegendo um ao outro das muitas tentações do maligno. Um casamento bem protegido pelo fiel exercício de escudeiros dedicados tem tudo para caminhar bem por toda a vida.

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