Pais fortes nas fraquezas

May 7, 2019

 

 

“Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.” (2Co.12.10)

 

Pais, como seus filhos deveriam ver vocês?

 

No dia das mães, milhares de “frases feitas” elogiando a delicadeza, a beleza, o amor e o cuidado das mulheres privilegiadas com a maternidade são dedicadas por seus filhos. A mãe é transformada (equivocadamente) em um símbolo do amor, da ternura e, até, da vida. No dia dos pais, canecas criativas e camisas “descoladas” de superpai servem de presentes para comemorar esse dia considerado tão especial. Os pais não precisam ser policiais nem bombeiros, não costumam ser fortes nem guerreiros, mas são idealizados como heróis. Pais e mães são adornados com diversas características especiais de personagens fictícios, sobretudo a de não errar. Nas escolas, a idealização é alimentada em uma semana dedicada quase que exclusivamente para elogiar pais ou mães que parecem não ter qualquer fraqueza para demonstrar.

 

Em um mundo que se gaba da racionalidade, pais e mães são apresentados como personagens de uma mitologia qualquer. A criança não é conduzida a refletir sobre a verdadeira natureza humana, tanto no que diz respeito à herança dos atributos divinos (Gn.1.26) quanto em relação ao pecado que corrompeu cada parte de nosso ser (Rm.3.10-18). Desse modo, as famílias são induzidas a não mostrar suas fraquezas, como se os filhos precisassem acreditar que seus pais não erram; dando a entender que a confiança e o amor dos filhos em relação aos pais dependem da ideia fictícia de que seus pais são perfeitos.

 

Você já percebeu que a Palavra de Deus não omite os muitos erros e fraquezas de seus personagens (2Co.12.7-10)? Ela nos conta exatamente a verdade sobre quem eles eram e o que fizeram em sua caminhada com Deus, mesmo que tenham sido importantes personagens para a história redentora. Sabemos que Jacó deu ouvidos a Labão e deixou que sua paixão por Raquel o fizesse ter duas esposas (Gn.29); que Moisés desobedeceu a Deus (Nm.20); que Davi arquitetou o homicídio de um soldado fiel com o intuito de ficar com a esposa deste (2Sm.11); que Pedro negou Jesus três vezes e ainda cometeu outros muitos erros (Mt.26; Gl.2.11-14); que Paulo brigou com Barnabé por causa de Marcos (At.15.37-39) etc. O fato de Cristo não apresentar nenhum defeito, nenhum erro, é porque Ele realmente nunca pecou (Hb.4.15).

 

Mesmo com todos os seus defeitos, os personagens bíblicos são tratados como heróis da fé (Hb.11), pois mantiveram seus olhos fitos na graça de Deus. Em suas fraquezas, buscaram a força do Senhor (Jz.16); em seus erros, encontraram a misericórdia de Deus (Sl.51); em suas necessidades, viram que o Criador é fiel provedor (Rute); em suas lutas, aprenderam a entregar tudo nas mãos do Senhor (Js.10) “que trabalha para aquele que nEle espera” (Is.64.4). A razão para tudo isso ser bom é que o propósito da vida humana é glorificar a Deus, não exaltar o ser humano. Por isso, os personagens apontavam para a necessidade do redentor, Cristo Jesus, por meio do qual desfrutamos da salvação e da comunhão com Deus.

 

A força do cristão está em reconhecer sua fraqueza e sua dependência de Deus, confiando nas promessas do Senhor, mesmo quando nada contribui para isso. Os filhos precisam aprender a depender de Deus e descansar em Deus em toda e qualquer situação, para que tenham paz no coração e um bom estado emocional quando tiverem problemas para resolverem. A ansiedade tem tomado conta de boa parte das pessoas, criando uma sociedade inquieta que vive de aparências. Por isso, cônjuges brigam quando tem problemas financeiros e pais se mostram incapazes de pedir perdão quando cometem erros. Os filhos precisam aprender que a força do homem se encontra naquele que o criou: Deus. Ao aprender a lidar com as fraquezas, os filhos repousarão o coração nas promessas do Senhor e desenvolverão uma mente equilibrada, pronta para lidar com as adversidades da vida.

 

Para isso, os pais devem dar exemplo! Um dos grandes benefícios da vida familiar é a transparência. Dificilmente, os membros da família conseguem viver uma mentira por muito tempo, pois o natural convívio diário “desarma” a pessoa. Isso não é ruim, pois não precisamos fingir que somos perfeitos para tentar agradar a Deus. Antes devemos viver a verdade para encontrar nEle tanto o perdão quanto a santificação. De modo semelhante, não devemos construir relações que exijam a perfeição do outro, mas relacionamentos sinceros e maduros, prontos para compreender as debilidades do outro, perdoar quando necessário e ajudar a desenvolver uma vida santa e agradável a Deus. E o melhor ambiente para o exercício de uma relação assim é a família.

 

Para que os pais sejam amados por seus filhos e sejam alvos da confiança da família, não é necessário criar uma imagem fictícia de superpai ou supermãe. A melhor forma de educar os filhos é por meio da verdade e a verdade sobre a natureza dos pais é que ela não é diferente em nada da natureza das demais pessoas. Os pais sentem medo, necessidades, tristeza, dúvida, raiva e muitas outras coisas comuns a todos os seres humanos. A reflexão sobre a realidade da humanidade dos pais é importante tanto para os próprios pais quanto para seus filhos, pois evita tanto a sobrecarga da tentativa de fingir ser o que não é quanto frustrações futuras decorrentes da descoberta de que os pais não são o que fingiam ser.

 

Portanto, é importante para a educação dos filhos ver que os pais pedem perdão quando erram, clamam a Deus quando tem necessidades, se humilhando diante do Senhor quando tem problemas, pedem força a Deus diante de suas próprias fraquezas, solicitam ajuda quando não sabem resolver os dilemas etc. Pais “normais” ensinam aos filhos que a glória do homem não se encontra em sua suposta força, mas no poder de Deus que opera na fraqueza (2Co.12.7-10). Pais que parecem nunca errar e que, portanto, não pedem ajuda nem confessam seus pecados nem se humilham nas necessidades alimentarão o orgulho dos filhos que dificilmente aceitarão ajuda à medida que irão crescendo. Eles refletirão a falsa ideia de que a força do homem está em não mostrar fraqueza, engano que pode levar muitos filhos ao sofrimento solitário e dificuldades em relacionar-se com outras pessoas. Além disso, provavelmente, serão estes os pais que, ao envelhecerem, se mostrarão “cabeças duras”, incapazes de ouvir conselhos.

 

Então, pais, sejam “simplesmente” vocês mesmos diante de seus filhos, de modo que seus filhos vejam que vocês não são perfeitos como eles também não são, e que, diante das falhas, a solução bíblica é reconhecer os erros, confessar os pecados, pedir ajuda ao Senhor e mudar de atitude para a glória de Deus. Isso não significa que deverão sentir-se tão à vontade que não se preocuparão em evitar erros que deveriam ser evitados. Os pais não devem se acomodar a uma vida medíocre, pois não é assim que apontamos para a glória de Cristo. Os pais devem preocupar-se em crescer e amadurecer a vida tanto quanto tem por obrigação se interessar em ajudar os filhos a crescerem e amadurecerem. Ou seja, os pais não devem ser negligentes no cuidado consigo mesmos, assim como também não podem fingir que são perfeitos.

 

Diante das mais diversas circunstâncias vivenciadas em família, os pais tem a oportunidade de trazer grandes ensinamentos bíblicos que apontam para a necessidade que todos temos de Cristo. Um exemplo disso, são as divergências que deverão ser tratadas com paciência, abnegação e sabedoria. Quando cônjuges divergem, mostram aos filhos que são naturalmente diferentes. Nesses momentos, o marido pode exercitar o amor abnegado e/ou a esposa mostrar como a mulher deve ser submissa (Ef.5.22-33). Tais divergências também acontecerão na relação entre os pais e os filhos, como momentos oportunos para demonstrar a forma agradável a Deus de se tratar as diferenças. Todavia, em muitas das ocorrências, tanto os cônjuges se esquecerão do que aprenderam com Cristo quanto os pais ignorarão que devem ser exemplo aos filhos. Quando isso acontecer, os pais não devem se desesperar. Será o momento para exercitar e ensinar outra grande lição: a capacidade de reconhecer o erro, pedir perdão e mudar de atitude. Todas essas lições serão vivenciadas dentro de um dia a dia normal de uma família normal que deseja viver para a glória do Senhor. E tendo aprendido com os pais, os filhos poderão colocar tudo isso em prática, em suas diversas relações dentro e fora de casa.

 

Filhos com pais normais que buscam no Senhor tudo o que é necessário para viver uma vida para a glória de Deus não precisarão idealizar um super-herói. Eles aprenderão que uma vida comum glorifica a Deus e aponta para a imensa graça do Senhor que se manifesta dia a dia na vida daqueles que reconhecem suas fraquezas, a fim de viver pelo poder de Deus. São esses mesmos filhos que, mais tarde, aceitarão os conselhos e a ajuda dos pais, saberão lidar com os diversos problemas presentes na igreja local e formarão família normais e estáveis que não se abalam diante das lutas da vida. Portanto, não finjam que não erram nem se preocupem em ser super-heróis para seus filhos, pois nada disso os conduzirão para Cristo. Preocupem-se apenas em viver uma vida normal para a glória do Senhor, de modo que seus filhos os considerem especiais não por parecerem fortes, mas por apontarem para a grandeza de Deus diante de suas próprias fraquezas.

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