Amar exige esforço nosso

June 15, 2019

 

 

“Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos.” (Mt.5.44-45)

 

Em nossa cultura tão teórica e abstrata, o amor é visto como algo mágico que surge repentinamente no coração, um sentimento que aparece por conta própria como ocorre nos contos de fadas. Tudo funciona como num “passe de mágica”, sem que haja uma busca consciente por uma vida de amor. O amor, então, parece ter vida própria e poder para escolher a quem deseja contagiar.

 

Mas, seria o amor algum tipo de força mágica que age nas pessoas quando quer? De maneira nenhuma! A Escritura diz que Deus é amor, mas não diz que o amor é Deus (1Jo.4.16). Portanto, o amor depende de alguém para vir à existência. Caso não haja alguém que ame, não haverá amor. O amor, então, exige esforço. Uma cultura iludida por contos de fadas costuma esperar que o amor apareça sozinho, sem qualquer esforço, gerando bastante negligência diante da necessidade de se cultivar e restaurar a presença do amor nas relações familiares e fraternas.

 

Observe que ter rancor no coração e odiar pessoas que nos desagradaram é uma tarefa muito fácil e natural para o pecador. Também podemos dizer que é fácil amar os amigos, as pessoas que nos fazem bem, aquelas que proporcionam bem-estar em nós. Contudo, é muito difícil amar os inimigos, fazer o bem àqueles que fazem mal para nós. Jesus disse que esse é o caminho rumo à perfeição e que deveríamos trilha-lo, a fim de sermos perfeitos como o Pai, amando os inimigos e orando pelos que nos perseguem (Mt.5.43-48). Diante de tal exigência, fica evidente que o amor exige esforço de nossa parte e muita graça da parte de Deus.

 

Quando foi que você dedicou esforço, junto à oração, para amar pessoas que o desagradaram? Vivemos dias de tão grande conforto e facilidade que nos acomodamos mais do que já é o normal para o ser humano. Tem sido mais fácil ir ao cartório assinar o divórcio do que lutar pela manutenção ou restauração do casamento. A cultura da facilidade trouxe um grande prejuízo para a sociedade alimentando o comodismo. Caso não tenhamos cuidado, teremos mais pessoas divorciadas em novos casamentos do que casamentos que perduram por toda a vida. Teremos mais pessoas fora das igrejas ou que apenas visitam “igrejas” do que fiéis membros que perseveram firmes por toda a vida numa igreja local.

 

A verdade é que é bem mais fácil falar mal das pessoas e depois ignorá-las, trocá-las, desprezá-las no coração. Contudo, você sabe que o certo é amá-las, mesmo que elas não pareçam merecedoras desse amor, assim como você não merece o amor de Deus (Rm.5.8). O problema, portanto, encontra-se dentro do coração corrupto do ser humano (Jr.17.9). O único amor que é natural a este coração é o amor próprio, razão para que todas as pessoas procurem o que é melhor para elas. O pecado tornou o coração egoísta e o colocou no trono da vida para conduzi-la a seu bel-prazer. Não é sem razão que vivemos em uma era chamada de humanista, ou seja, em que o homem é o centro de todas as coisas.

 

Escrevendo aos Romanos, Paulo exorta a igreja a esforçar-se para fazer o bem perante todos os homens (Rm.12.17), de modo que “se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça” (Rm.12.20). Para que a igreja vivesse o amor de Cristo seria necessário esforço e dedicação, completa abnegação, afinal o amor de Cristo contraria o orgulho e egoísmo naturais ao coração. Deus não nos ensina a amar-nos a nós mesmos, mas exorta com muita frequência a amarmos os outros, lembrando-nos constantemente daquilo que já sabemos, pois tamanha é a dificuldade do coração pecador.

 

Para conseguirmos amar as pessoas diante de todos os desafios que o pecado nos impõe, não podemos ser acomodados. É preciso muito esforço, com muita oração, para amar um pecador que fere nosso ego. É bem mais fácil amar pessoas que o massageiam. Mas, amar apenas aqueles que fazem bem a nós não passa de um amor a si mesmo, amor a nosso bem-estar.

 

Portanto, o primeiro esforço necessário para que exercitemos o amor é lutar contra o orgulho e o egoísmo do próprio coração. Aceitar a humilhação, sofrer o dano recebido, suportar o ego machucado, engolir o orgulho ferido, se esvaziar de si mesmo. Amar verdadeiramente como Cristo nos amou e como Deus ama sem que seja beneficiado por este amor é uma tarefa contrária à natureza pecadora do ser humano. Mas, é esse amor que Deus quer de seus filhos. Paulo diz aos Coríntios: “O só existir entre vós demandas já é completa derrota para vós outros. Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano?” (1Co.6.7).

 

O esforço seguinte é colocar em prática um amor verdadeiramente prático. Sentimentos não podem ser medidos nem pensamentos mensurados, mas pelos frutos é possível se conhecer uma árvore, conforme nos disse Jesus: “ou fazei a árvore boa e o seu fruto bom ou a árvore má e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore” (Mt.12.33). O esforço para amar começa em atitudes conscientes de quem sabe que amar é mandamento e está presente em três grandes ordens do Senhor (Mt.22.36-40; Jo.13.34-35). Ou seja, você precisa se dedicar para obedecer aos mandamentos de amar pelo simples fato de serem mandamentos, tendo como referência o amor de Cristo.

 

Por meio desse esforço desprendido em oração, diversas relações quebradas podem ser restauradas, relacionamentos familiares podem ser renovados e igrejas se tornam exemplos da vontade de Deus, vivendo um amor verdadeiro, não fingido, não teórico (Rm.12.9). Afinal, o apóstolo João nos exorta a que “não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade” (1Jo.3.18).

 

Então, o que você está esperando para colocar em prática esse amor prático? Comece fazendo o bem para pessoas que estão a seu redor no dia a dia e, em seguida, para aquelas que seu coração tem mais dificuldade para amar. Assim, você estará quebrando a maldade de seu coração e exercitando o amor divino. Com dedicação, aquilo que era quase impossível poderá tornar-se um hábito prazeroso de seu dia a dia.

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