Nem sempre lute, fuja!

January 16, 2020

 

“A mulher, porém, fugiu para o deserto, onde lhe havia Deus preparado lugar” (Ap.12.6)

 

Há muitos inimigos contra os quais devemos lutar bravamente, cara a cara, fazendo uso da precisa espada de dois gumes que o Senhor nos deu: a Escritura Sagrada (Ef.6.10-18). A coragem para lutar é preciosa, principalmente se o mundo tenta obrigar o cristão a negar sua fé em Cristo (At.4.29). Todavia, há alguns adversários que devem ser evitados com muito cuidado, como quem foge de leões famintos prontos para devorar todo aquele que ficar cara a cara com eles. Há quatro textos em que o apóstolo Paulo usa um claro imperativo, revelando-nos que o cristão deve fugir do mal:

 

“Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo.” (1Co.6.18)

“Portanto, meus amados, fugi da idolatria” (1Co.10.14)

“Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão” (1Tm.6.11)

“Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor.” (2Tm.2.22)

 

O termo grego traduzido por fugir (feugo) é utilizado em contextos de guerra no Antigo Testamento (Nm.10.34; Js.7.4; 8.5; 10.11; 1Sm.4.10; 14.22; 17.51; 19.8; 30.17; 2Sm.1.4; 10.13; 13.29; 15.14; 17.2; 23.11 etc.). Ele aparece pela primeira vez em Gênesis 14.10, para traduzir a palavra hebraica “nus”, na narrativa da fuga dos reis de Sodoma e Gomorra por ocasião da guerra de cinco reis contra quatro. Em Êxodo 14.25, os egípcios fugiam de Deus que lutava por Israel numa guerra peculiar travada por Deus contra o império egípcio. Portanto, diante de uma grande ameaça, vendo o perigo iminente e zelando pela vida, pessoas fugiam em meio à guerra, a fim de não serem mortas pelos adversários.

 

O cristão vive em guerra contra três fortes adversários:1) a natureza carnal que insiste em se sobressair, a fim de fazer a própria vontade contra o querer de Deus (Ef.2.1-10); 2) o mundo que odeia a Deus e a todo aquele que ama o Senhor (Jo.17.14); 3) e, o diabo que tenazmente acedia o povo de Deus, pois seu propósito é destruir a igreja do Senhor (Ap.12-13). Esses três inimigos usam as mais variadas estratégias e atacam das formas mais sutis com muitas tentações que visam afastar o cristão da comunhão com o Criador. Diante de muitos desses ataques, o cristão precisa se corajoso para lutar sem temer, enfrentando os adversários por meio do Conhecimento de Cristo Jesus, ora atacando o império das trevas pela fiel pregação da Palavra ora se defendendo com a convicção do Evangelho de Jesus (Mt16.18).

 

Você, então, poderá questionar: Mas, fugir em uma guerra não seria uma atitude vergonhosa? Sim, é verdade. Fugir na guerra é um sinal de derrota. Todavia, veremos na Escritura que alguns personagens fugiram, não por terem sido derrotados, mas por calcularem que seriam incapazes de vencer o adversário caso ficassem para a batalha (Lc.14.31-32). Fugir de um adversário claramente mais forte requer tanto sabedoria quanto humildade, pois será necessário análise da própria vida e será preciso desfazer-se de qualquer orgulho. Aquele que foge de uma derrota iminente mostra-se sábio em não subestimar o adversário e humilde para reconhecer que nem sempre possui suficiente condições para vencer todas as batalhas.

 

Davi, o grande rei de Israel, aquele que venceu Golias com uma funda e algumas pedrinhas (1Sm.17), passou muitos anos (aproximadamente 15) fugindo de seu adversário: Saul (1Sm.19.18; 21.10; 22.17; 27.4). Davi mostrou que a humildade prevalecia sobre o orgulho do coração de um homem valente. Além disso, Davi refletiu sabiamente sobre o fato de que somente Deus poderia pôr e tirar o rei de Israel, no tempo por Ele designado. Deus era o grande Rei de Israel e somente Ele tinha o direito a escolher quem governaria sobre seu povo e por quanto tempo isso deveria acontecer. Davi compreende que a história pertence a Deus e pacientemente aguarda que a vontade de Deus seja feita. Por isso, Davi não lutou nem matou Saul, antes fugiu dele ano após ano, esperando que Deus julgasse sua causa e lhe desse a vitória (Sl.18).

 

Foi por sabedoria e humildade que José fugiu da esposa de Potifar quando esta tentou leva-lo ao adultério (Gn.39.12). José havia calculado muito bem as muitas implicações de suas atitudes e já deixara clara sua resposta para aquela mulher:

 

Aconteceu, depois destas coisas, que a mulher de seu senhor pôs os olhos em José e lhe disse: Deita-te comigo. Ele, porém, recusou e disse à mulher do seu senhor: Tem-me por mordomo o meu senhor e não sabe do que há em casa, pois tudo o que tem me passou ele às minhas mãos. Ele não é maior do que eu nesta casa e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porque és sua mulher; como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus? (Gn.39.7-9)

 

Além disso, José estava pronto para ser humilhado, fugindo do pecado por amor a Deus. José não se considerou forte o suficiente para enfrentar a tentação da sensualidade cara a cara. Ele fugiu rapidamente, pois conhecia sua natureza pecadora. Sabedoria e humildade estavam lado a lado com José e o livraram de pecar contra Deus quando fora posto no campo de batalha para lutar contra o pecado. José venceu a guerra fugindo. E mesmo que tenha sofrido danos injustos, Deus o tratou como um verdadeiro herói merecedor de honras por sua vitória.

 

Deus ordena em sua Santa Palavra que fujamos da impureza, da idolatria, da ambição/avareza e das paixões da mocidade. Não devemos lutar cara a cara com esses pecados, mas fugir deles. Você deve reconhecer humildemente sua natural fraqueza e, mesmo que se sinta “forte”, considerar, sabiamente, que sua aparente “força” pode não ser suficiente, pois o homem é naturalmente pecador e seu coração é enganoso, desesperadamente corrupto (Jr.17.9). Fugir não será covardia diante de tais pecados, mas um gesto de humildade e sabedoria, sabendo que o importante é que Deus seja glorificado na vida daqueles que são chamados pelo seu Santo Nome.

 

 

Fuja da impureza!

 

Deus não quer que você assista filmes com cenas sensuais nem com nudes, como se pudesse ver tais coisas e ser forte para não cobiçar mulheres (ou homens) nem buscar o prazer egoísta. Não é uma questão de ser adulto o suficiente para ver tais coisas. A questão é que todos os homens (e mulheres) são suficientemente pecadores para ter acesso à sensualidade e a nudes. A nudes, depois da queda de Adão e Eva, tornou-se uma tentação. Ela estimula a imaginação e os desejos, porque a mente e o coração do ser humano estão completamente corrompidos (Rm.3.10-18). Não considerar essa realidade é tolice, falta de sabedoria e de conhecimento de si mesmo.

 

De modo semelhante, o Senhor não quer que você fique sozinho com a namorada, mostrando que é forte para resistir à tentação de se satisfazer nela (e vice-versa). O desejo de um homem por uma mulher e de uma mulher por um homem é algo natural ao coração pecador e ignorar isso é subestimar a força do pecado sobre nossas vontades e impulsos. Por isso, Deus nos ensina a fugir de tais coisas, não a resistir cara a cara o adversário. O cristão deve fugir, como José fugiu da mulher de Potifar, não ficar dialogando com a tentação como se pudesse convencê-la a deixar você em paz. Isso não funcionará e antes que consiga pensar ter sido bem-sucedido, se verá pecando contra Deus. Quando não fugimos de situações que nos colocam em risco estamos tentando a Deus (Dt.6.16; Mt.4.7), mostrando falta de sabedoria e de humildade para reconhecer a hora de pular fora de um problema iminente. Portanto, não fugir é tolice em vez de força. Essa é uma forte razão para namorados não terem contato físico. O beijo na boca estimula os desejos sexuais, exigindo que ambos lutem cara a cara com a natureza pecadora. Não é sem motivo que muitos jovens cristãos já perderam essa guerra, e você não tem uma natureza diferente da natureza deles. Então, Fuja da imoralidade!

 

Quer se relacionar com alguém, então o faça apenas por meio do diálogo, até que você venha a casar com essa pessoa. O beijo não é instrumento para conhecer o outro. O beijo é para casais, para aqueles que já fizeram uma aliança, a fim de serem uma só carne, pois faz parte do prazer sexual, estimulando-o. E para evitar tal tentação, aqueles que estão comprometidos com alguém visando futuro casamento devem andar sempre com outras pessoas: amigos ou parentes. Namorados não devem ir ao cinema sozinhos nem ficar sozinhos em carros nem muito menos na casa um do outro. Ignorar esse ensino é semelhante a se jogar do “pináculo do Templo” esperando que anjos o segurem lá em baixo para que não sofra qualquer dano (Mt.4.5-6). Portanto, não tente a Deus! Melhor do que conhecer seus limites experimentando-os é evitar chegar perto da linha divisória que divide a santidade do pecado. Apenas fuja para não ser surpreendido descobrindo que foi longe demais.

 

 

Fuja da idolatria!

 

A idolatria é tão perigosa quanto a sensualidade, e pode fazer desta um ídolo também. O coração pecador do homem é naturalmente inclinado à idolatria que se expressa das formas mais variadas. É enganoso achar que a idolatria só está presente em religiões pagãs que não adoram o Criador, o Deus que se revelou pela Escritura. Ou pensar que a idolatria se expressa apenas no uso de imagens dentro ou fora da cristandade. A sutileza da idolatria pode ser vista na glutonaria e na bebedice, no amor ao dinheiro e, também, na forma como se trata algumas pessoas, o que tem crescido nesse universo de “fama gospel”.

 

É preciso fugir da idolatria tanto do outro quanto de si mesmo. Pode parecer um tratamento rude, mas algumas vezes precisei conduzir pessoas a olhar só para Cristo quando estas afirmavam admiração por mim. Alguém se aproxima dizendo: “- Admiro muito o senhor, pastor!” Meu coração pecador, instantaneamente se enche de orgulho de si mesmo. Então, o golpeio fatalmente, conduzindo tanto o meu coração quanto o coração daquela pessoa a olhar somente para Jesus: “- Quer admirar alguém, admire a Cristo!”. Pode parecer rude, mas é fuga da idolatria. Não se brinca com a idolatria, assim como não se deve subestimar a sensualidade. Ambos são sutis e mortais. Não devemos testar nossos limites se colocando em risco diante de tais tentações. Por isso, considero muito estranho que os “famosos do mundo gospel” alimentem a idolatria do coração de cristãos tirando fotos, autografando livros, alimentando elogios e coisas semelhantes. Não é sábio testar o orgulho do próprio coração nem deixar que o outro ande na linha divisória entre o carinho e a idolatria.

 

A idolatria de pessoas cristãs famosas pode levar o cristianismo ao declínio. Lembro-me de ter apresentado um assunto determinado por meio de um amplo estudo. Todavia, eu estava contrariando alguns doutores que afirmavam o contrário. Então, uma pessoa questiona minha posição por meio de dois vídeos de famosos que afirmavam o contrário do que eu dizia. O problema é que os vídeos não possuíam argumentos, nem mesmo um só, a favor dessa outra leitura teológica. Os famosos apenas afirmavam sua posição sobre o assunto, sem dar qualquer razão para isso. Não havia provas Bíblicas para as afirmações. Mesmo assim, aquele que tentou me contrapor achava que estava refutando as ideias por mim apresentadas. Sem perceber, aquela pessoa idolatrava dois famosos do mundo gospel e isso estava prejudicando sua caminhada cristã, pois a sujeitava a aceitar tudo o que esses famosos dissessem, mesmo que contrariassem a Palavra de Deus; diferente do que fizeram os habitantes de Beréia que examinavam as palavras do apóstolo Paulo conferindo com a Escritura Sagrada (At.17.11).

 

Podemos, ainda, ver a idolatria em momentos de perdas. Muitas pessoas deixam de ter prazer na vida e até param de servir a Deus com dedicação e alegria porque perderam pessoas queridas. Não estou me referindo apenas a não cristãos. Muitos cristãos, depois de perdas, mudam completamente a vida, pois, sem que percebessem, tinham o coração preso àqueles que se foram, quer filhos quer pais, sejam cônjuges sejam amigos. Paulo responde, diante disso: “Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança” (1Ts.4.13). A idolatria desvia o olhar do homem que deveria estar fitando Cristo. E sem olhar para Cristo, pessoas colocam sua razão e propósito de vida sobre outra pessoa (e coisas). A idolatria faz com que o amor de todo o coração, toda a alma e toda a força (Dt.6.5) seja direcionado a outra pessoa (e coisas) em vez de ser dedicado exclusivamente ao Criador, o único Deus e Senhor de nossas vidas. Não é sem razão que temos um elevado índice de “depressão” em nossa geração. Portanto, fuja de tudo o que está tomando o lugar de Deus em seu coração! Fuja da idolatria!

 

 

Fuja da ambição/avareza!

 

Paulo nos diz em Colossenses 3.5 que a avareza é idolatria, ou seja, endeusamente dos bens materiais. E em 1 Timóteo 6.10, o apóstolo afirma: “Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores”. Por causa de dinheiro, também em nossos dias, pastores deixam de pregar a Palavra de Deus com fidelidade, temendo serem prejudicados financeiramente, pois há pessoas dentro das igrejas que acham que podem manipular o pastor como querem tendo em vista que este recebe as côngruas da igreja. Para essas pessoas, o dinheiro está no lugar de Cristo, o único Senhor de toda a Criação.

 

A ambição faz juízes aceitarem suborno, comerciantes venderem coisas ruins ou desnecessárias para seus clientes, jovens buscarem a medicina por status e riquezas, advogados defenderem bandidos ou estimularem processos desnecessários, políticos prejudicarem uma nação inteira para obterem riquezas etc. O amor ao dinheiro é raiz de muitos males e uma das causas da enorme desigualdade social. A pobreza pode ter várias razões: preguiça, comodismo, ignorância, vícios etc. Mas, a avareza tem sido uma das razões para a miséria de muitas pessoas no mundo, pois em alguns ideais políticos e econômicos a pobreza é uma forma de manipular pessoas com o fim de usá-las.

 

O trabalho não visa apenas o sustento. Deveríamos gostar de trabalhar porque é uma ordenança divina para que sirvamos tanto o Criador quanto as pessoas a nosso redor. O sustento é a recompensa do trabalho, mas não a razão para trabalharmos. Podemos ver a importância dessa compreensão diante dos trabalhos não remunerados. Você trabalha com a mesma dedicação na obra do Senhor? Você vai tão longe para servir a Deus e a pessoas sem que receba nada por isso? Você gasta tempo e esforço para conduzir sua família na Palavra de Deus, ensinando a Escritura para o cônjuge e para os filhos? Há muitos trabalhos que não são remunerados e exigem de nós tanto esforço (ou até mais) do que aquele trabalho do dia a dia por meio do qual tiramos nosso sustento. Todavia, não é difícil mostrar que o mesmo esforço desprendido para se ganhar dinheiro não é visto em trabalhos não remunerados. Isso mostra que o amor ao dinheiro tem sido o agente motivador do trabalhador de muitos.

 

Isso não significa que devamos trabalhar de graça, mas que não podemos colocar o coração sobre o dinheiro. Receber o salário é justo, mas amar o dinheiro é injusto, pois Deus é o único que deve ser a razão e o propósito de nossas vidas. Jesus advertiu quanto ao problema de amar o dinheiro, dizendo:

 

Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão! Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas (Mt.6.19-24)

 

Portanto, se você percebe que está apegado a suas coisas e que seu coração pensa muito em dinheiro, pare enquanto há tempo. O amor aos bens levará você a desprezar pessoas por causa de seus pertences. Um homem que ama seu carro brigará com a família por causa dele. Uma pessoa que ama seus pertences não os colocará à disposição para servir por meio deles. Alguém que ame o dinheiro estará sempre pensando nele, juntando riquezas em vez de usar aquilo que Deus lhe deu para abençoar muitas vidas, sabendo que “mais bem-aventurado é dar do que receber” (At.20.35). Cristãos que tem o coração no dinheiro e nos bens acharão desperdício investir na obra missionária quando esta não dá rápidos frutos, principalmente materiais. Para esses, investir muito dinheiro para salvar uma única vida será uma falta de visão administrativa, pois o coração ama mais o dinheiro do que as pessoas, impedindo-o de ver o valor e a eternidade da alma de uma pessoa.

 

 

Fuja das paixões da mocidade!

 

Por fim, Paulo nos fala sobre a fuga das paixões da mocidade (2Tm.2.22). Aparentemente, poderíamos ter abordado esse imperativo junto à ordem para fugirmos da imoralidade. Contudo, o contexto desse texto nos mostra que Paulo não está apenas pensando na sensualidade. Paulo está falando do prazer pelo debate, discussões nas quais alguém mostra ter mais conhecimento do que o outro. Nesse contexto, o apóstolo diz a Timóteo que fuja de intrigas motivantes para os jovens. É fácil ver isso nas redes sociais. Há quem procure postagens polêmicas para entrar em debate com o autor. Os jovens gostam de desafios motivantes e, principalmente, de mostrar superioridades sobre as outras pessoas. Essa marca jovem é vista principalmente nos rapazes, que encontram, em suas vitórias, motivo para se gabarem diante dos demais.

 

Paulo ordena a Timóteo que fuja dessas paixões da mocidade. O propósito de um cristão não é mostrar superioridade sobre os outros, mas servir. Jesus ensinou seus discípulos a servirem com humilde satisfação, não buscando glórias nem recompensas, mas dedicando-se a abençoar pessoas por amor a Deus:

 

Suscitaram também entre si uma discussão sobre qual deles parecia ser o maior. Mas Jesus lhes disse: Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve. Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Pois, no meio de vós, eu sou como quem serve. (Lc.22.24-27)

 

Desse modo, Deus não quer que sejamos motivados pela paixão do coração, mas pelo amor a Deus. Se temos algo para ensinar, devemos fazê-lo por amor ao Senhor, sabendo que tudo o que temos e sabemos vem do Criador de todas as coisas, pois toda Verdade procede de Deus. Por isso, Paulo adverte os Coríntios a serem humildes no modo como deveriam lidar com o conhecimento: “não ultrapasseis o que está escrito; a fim de que ninguém se ensoberbeça a favor de um em detrimento de outro. Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido?” (1Co.4.6-7). Por causa do orgulho do saber, doutores desprezam os indoutos negligenciando a Verdade de que todo conhecimento verdadeiro nos é dado para produzir frutos, tanto por meio de nossas atitudes quanto através da transmissão desse conhecimento para as demais gerações (Gn.18.19).

 

Portanto, Deus nos ensina que nem sempre devemos lutar contra o inimigo, mas, sim, fugir rapidamente dele. Então, fuja! Essa é a ordenança de Deus para que não subestimemos os adversários perspicazes que podem nos levar à morte, ao pecado. Em sua Santa Palavra, o Senhor nos dá diversos exemplos, desde o princípio da criação, pois por não fugir da tentação da serpente, Eva e Adão trouxeram a queda para todos (Gn.3). O pecado é um adversário que joga sujo e conta com a cooperação de três fortes aliados: a natureza pecadora do homem, o mundo e o diabo. E mesmo que Deus prometa capacidade para que vençamos o pecado (1Co.10.13), essa capacitação nem sempre representa a força para lutar cara a cara com o adversário, mas a sabedoria para tomar a decisão correta de fugir do inimigo (Tg.1.5). Então, busque a sabedoria e a humildade necessários para que você se mantenha longe do pecado e glorifique a Deus por meio de uma vida santa e agradável a Ele, em Cristo Jesus.

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