Jonas (1.1-17) - Rastros da misericórdia de Deus

April 29, 2020

 

“Jonas se dispôs, mas para fugir da presença do SENHOR, para Társis; e, tendo descido a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem e embarcou nele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do SENHOR” (Jn.1.3)

 

Para onde você está indo? Em nossa jornada como seres humanos, temos apenas dois caminhos a percorrer: 1. Andamos em direção à boa vontade de Deus; 2. Ou, andamos em direção oposta à vontade de Deus. Contudo, não devemos ser superficiais na aplicação desses dois caminhos. Ou seja, andar em direção à vontade de Deus não significa apenas ir à igreja. Também, não podemos dizer que práticas comuns e cotidianas, como a relação íntima entre um casal (casado), signifiquem um andar em direção oposta à vontade de Deus. É possível que pessoas indo para uma igreja local estejam caminhando contra a vontade de Deus ao fazerem isso por mero interesse em serem abençoadas com bênçãos materiais, por exemplo. Todavia, o desfrute da relação sexual dentro do casamento ou a satisfação de comer e beber de modo equilibrado, em gratidão a Deus, devem ser consideradas práticas agradáveis ao Senhor (1Co.10.31).

 

O livro do profeta Jonas nos diz que “veio a Palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai” (Jn.1.1), para que ele pregasse contra a cidade de Nínive, anunciando o iminente juízo divino (Jn.3.1-4), por causa dos muitos pecados daquele povo. Não sabemos quase nada sobre o profeta, além de ter vivido nos dias do rei Jeroboão II, rei de Israel, por volta de 780 a.C. (2Rs.14.25). No livro do profeta, encontramos uma grande intriga de Jonas contra a cidade de Nínive (capital da Assíria), mas o livro não nos revela a razão da grande indisposição do profeta contra os ninivitas. Em 2 Reis 15.19, a Escritura nos diz que Pul, rei da Assíria, vai em direção a Israel para atacar o povo. Essa empreitada somente foi evitada por meio de pagamento efetuado por Menaém, rei de Israel naquela ocasião. Não sabemos ao certo em que data a história do livro de Jonas ocorreu, mas é muito provável que as empreitadas dos Assírios contra Israel tenham sido a principal razão para que o profeta Jonas tivesse tanta indisposição com os ninivitas.

 

Deus chamou o profeta Jonas, a fim de enviá-lo à cidade de Nínive pregar a Palavra do Senhor. Todavia, Jonas foge da presença de Deus, pois não desejava ver a conversão dos ninivitas, inimigos de seu povo. É evidente que o profeta sabia não ser possível fugir do Senhor (Jn.1.12), mas a indisposição de seu coração contra os ninivitas o conduziu a uma atitude impensada e improdutiva. Jonas preferiu desobedecer a Deus a ver a cidade de Nínive ser poupada no dia da ira do Senhor, tamanha era a dureza de seu coração para com aquele povo pecador: “E orou ao SENHOR e disse: Ah! SENHOR! Não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus clemente, e misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que te arrependes do mal.” (Jn.4.2). O pecado da dureza de coração estava cegando Jonas, fazendo-o agir em acordo com suas emoções conturbadas e contrárias ao conhecimento da Palavra do Senhor.

 

Precisamos lembrar que a Palavra de Deus tem ecoado pelos quatro cantos da terra, fazendo a vontade do Senhor ser conhecida do mundo de nossos dias. Mas, para onde você está indo? A dureza do coração do homem pode leva-lo para longe do Senhor, mesmo sabendo que não é possível fugir da presença divina. Você tem feito a vontade de Deus com respeito a tudo ou tem fugido do Senhor em suas escolhas e ações? A fuga da presença de Deus não ocorre apenas quando se negligencia a pregação da Palavra do Senhor, como ocorreu com Jonas. É possível o homem tentar fugir de Deus todos os dias, pois, diariamente, temos a necessidade de fazer escolhas e tomar atitudes:

 

  1. Você tem sido um esposo como Deus manda; ou tem fugido da responsabilidade de liderar a família em amor, conduzindo seu lar na Palavra do Senhor?

  2. Você tem sido uma esposa submissa e amável, verdadeira auxiliadora do marido, como Deus quer; ou tem fugido daquilo que Deus ensina para fazer o que acha ser melhor para si mesmo, não se importando com as implicações que virão para sua família?

  3. Vocês têm sido bons pais que veem os filhos como herança do Senhor, a fim de conduzi-los a Cristo e em Cristo, mesmo que seja necessário abrir mão das “realizações pessoais e materiais”, sabendo que a vida de um filho vale mais que todas as coisas alcançáveis desse mundo; ou tem negligenciado a educação de seus filhos para ficar assistindo TV, batendo papo no celular, comprando mais bolsas, roupas e coisas semelhantes?

  4. Você tem sido um bom profissional, fazendo o melhor para Deus e para as pessoas, não por ganância, mas por amor, servindo com dedicação; ou só trabalha para receber o salário, sendo um mau chefe ou mau funcionário?

  5. Você tem feito boas escolhas que agradam a Deus fugindo de toda imoralidade, mentira e engano; ou você não se importa com a letra da música nem com as cenas indecentes dos filmes, entre outras coisas?

  6. Você tem comido e bebido para a glória de Deus; ou tem fugido do Senhor se refugiando na bebida em excesso e na comida com exagero?

  7. Você tem sido uma boa ovelha, obediente, submissa, dedicada, amável, paciente, verdadeira, trabalhadora; ou tem vivido para murmurar, ser servida e desobedecer?

 

Sempre que você faz a sua vontade em vez de fazer a vontade do Senhor, está agindo de modo semelhante a Jonas que preferiu fazer a própria vontade por causa de seus sentimentos do que fazer a vontade de Deus, que é boa, agradável e perfeita (Rm.12.2). Quando o cristão segue seu coração, mesmo sabendo que a vontade revelada de Deus (Escritura Sagrada) indica outra direção, ele está se rebelando contra o querer de Deus como Jonas fez. E toda escolha contrária ao Senhor terá suas consequências como ocorreu com o profeta. Um exemplo disso é o fato de que vários jovens cristãos que se casaram com pessoas não cristãs, levados por meras emoções e rejeitando todos os ensinos claros da Palavra de Deus sobre os perigos do casamento misto (cf. https://voxscripturae.blogspot.com/2016/08/os-perigos-do-casamento-misto.html), tem sofrido as consequências de entrarem em aliança com pessoas pagãs, colhendo amargos frutos em um casamento cheio de angústias.

 

Mas, poderia alguém fugir da presença do Criador? Claro que não! Como diz Davi no Salmo 139, Jonas também testemunha a presença inevitável de Deus: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Sl.139.7-10). Jonas pegou um navio para Társis, que ficava na direção oposta à cidade de Nínive, sem se importar nem com a distância nem com as implicações de sua escolha. Nesse momento, Deus poderia ter abandonado Jonas e escolhido outro profeta no lugar dele. Todavia, na insistência divina, vemos o amor singular e incondicional do Senhor pelos seus filhos e a fidelidade de Deus a seus planos, de modo que as más escolhas do profeta não invalidaram a graça divina nem impediriam a concretização da vontade do Senhor. Desse modo, Deus vai atrás do profeta que navegava o Mar Mediterrâneo despreocupadamente (Jn.1.3-4).

 

O profeta estava tão ensimesmado que ignorava o mundo a seu redor. Jonas entra no navio e desce ao porão para dormir durante a viagem (Jn1.5). Enquanto isso, “o SENHOR lançou sobre o mar um forte vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, e o navio estava a ponto de se despedaçar” (Jn.1.4). Por causa de um homem, um profeta do Senhor (amor e disciplina), Deus move o céu e o mar. Todavia, o final do capítulo primeiro nos impulsiona para a compreensão de que o Senhor desejava manifestar sua misericórdia não apenas para Jonas como, também, para os marinheiros do navio em que o profeta estava (Jn.1.14-16). Não seria a primeira vez que a criação serviria de instrumento para manifestar o poder de Deus aos pecadores (Gn.6-9; Ex.5-12; Js.10 etc.), com a finalidade de promover temor no coração dos homens, como ocorreu com os marinheiros: “Temeram, pois, estes homens em extremo ao SENHOR; e ofereceram sacrifícios ao SENHOR e fizeram votos” (Jn.1.16).

 

Sem que soubessem, os marinheiros estavam indo na direção oposta ao Deus de Israel, assim como Jonas que desobedecia ao chamado divino. Não importava o destino final daquele barco, a vida da tribulação navegava para longe do Criador, pois cada marinheiro servia a seu deus, objeto de pau e pedra, criação da vã imaginação humana. Portanto, tanto quanto Jonas, os demais tripulantes daquele barco precisavam ter o rumo da vida alterado pela graça divina, de forma que deixassem os deuses que nada são para servirem ao único e verdadeiro Deus, o Criador dos céus e da terra. A conversão dos marinheiros segue a seguinte ordem:

 

  1. Os marinheiros ficam atemorizados com a tempestade promovida por Deus e a possibilidade da morte

  2. Então, todos os tripulantes começam uma maratona de tentativas para se salvarem:

    1. Primeiramente, cada marinheiro clama a seu deus, mas nada acontece

    2. Depois, os marinheiros se livram do excesso de peso, mas nada resolve

    3. Por último, eles procuram uma resposta divina, lançando sortes para saber o culpado

    4. Os marinheiros creem na palavra do profeta Jonas e pedem uma solução

    5. Os marinheiros temem jogar Jonas ao mar, pois não queriam matar um profeta

    6. Os marinheiros rogam ao Deus de Israel por misericórdia e obedecem ao profeta

  3. Jonas é lançado ao mar e a tempestade cessa imediatamente confirmando a Palavra do profeta

  4. A tripulação teme o Deus de Israel, convertendo-se por meio de sacrifícios e votos ao Senhor

 

Sem saber, Jonas foi instrumento para a conversão de marinheiros pagãos, pelo simples fato de ter pregado a Palavra de Deus. Assim, o livro de Jonas nos apresenta um princípio observado pelo apóstolo Paulo: “Ora, se a transgressão deles redundou em riqueza para o mundo, e o seu abatimento, em riqueza para os gentios, quanto mais a sua plenitude!” (Rm.11.12). Ou seja, se até na fuga do profeta, ao pregar a Palavra de Deus aos marinheiros, a graça de Deus se manifestou na conversão daqueles pecadores que outrora adoravam outros deuses, quanto maior seria a manifestação da glória do Senhor quando o profeta fosse fiel a Deus obedecendo a seu chamado para pregar a Palavra divina à grande cidade de Nínive. Por todo o livro, as misericórdias do Senhor se manifestam com superabundante graça de modo que não há uma só pessoa condenada em toda a história do profeta. Deus salva os marinheiros (Jn.1.16), salva o profeta (Jn.1.17; 2.9-10) e salva Nínive (Jn.3.10), pois “ao SENHOR pertence a salvação!” (Jn.2.9). Todos são salvos por meio do arrependimento seguido de uma legítima conversão demonstrada através de atitudes humildes de obediência.

 

Veremos em todo o livro de Jonas que, por onde o profeta do Senhor passou, foram deixados rastros das misericórdias de Deus que superabundaram diante da abundância de pecados daqueles que se achegaram humildemente ao Senhor, porque a Palavra do Senhor era proclamada por todo o caminho. Desse modo, o livro de Jonas é um precioso convite à conversão, motivada pela exposição prática da grandeza das misericórdias do Senhor que se renovam constantemente (Lm.3.22). No livro de Jonas, diversos tipos de pecados são perdoados e simplesmente apagados pela grandeza das misericórdias de Deus: a desobediência do profeta (Jn1.3,17; 2.10), a idolatria dos marinheiros (Jn.1.5), as imoralidades e injustiças sociais dos ninivitas (Jn.3.8); a dureza do coração de Jonas (Jn.4). Apesar de serem pecados bem distintos e terem sido praticados por pessoas bem diferentes, todos eles recebem o mesmo tratamento divino após o legítimo arrependimento e conversão: todos os pecados são perdoados de modo eficaz e suficiente por Deus.

 

Quantos são os seus pecados? Nenhum pecador é capaz de contar o vasto número de pecados que já cometeu contra Deus, o Criador. Além disso, há momentos que a dimensão dos pecados traz a sensação de que é impossível encontrar tamanho perdão para todos eles, afligindo demasiadamente o coração do pecador. E mesmo que o homem possa qualificar os pecados, distinguindo-os, a graça do Senhor chama todos os pecadores para o desfrute da mesma superabundante misericórdia do Senhor, como disse o profeta Jeremias: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã.” (Lm.3.21-23). Então, olhe para Cristo! Veja o sacrifício que nos traz a paz (Rm.5.1). Corra aos pés do Salvador, certo de que sua justiça é suficiente para trazer pleno perdão a todo aquele que verdadeiramente se arrepende, confessa seus pecados e os abandona, desejoso de viver uma nova vida no Senhor.

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