Acabe com o Putin dentro de você


Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Sl.139.23-24)


Precisamos acabar com a guerra!

Muitas pessoas estão levantando a voz contra a guerra da Rússia contra a Ucrânia. Eu gostaria de ampliar o grito de guerra: Vamos parar a sua guerra! A Ucrânia não é a única a sofrer com o orgulho e a ambição dos homens. Todos os dias, inúmeras guerras são travadas dentro das famílias, dentro das empresas, dentro da política, dentro das igrejas etc.


Portanto, olhe bem para o que Vladimir Putin está fazendo com a Ucrânia, porque é o mesmo que você tem feito há muitos dias, meses e, talvez, anos com as pessoas a seu redor. Está espantado com a afirmação? Não deveria! A única diferença entre você e Vladimir Putin é o poder político e militar que ele tem nas mãos.


Por meio dessa guerra, Deus está mostrando para você quão terrível é seu orgulho, seu egoísmo, sua indiferença, sua ambição, sua avareza. Por meio dessa guerra, Deus mostra ao mundo quão triste é o infortúnio causado por pessoas que só pensam em si mesmas, porque amam tanto a si mesmas que querem tudo o que é bom somente para si. Por meio dessa guerra, os males vistos diariamente são realçados e expostos perante seus olhos que não percebem a gravidades deles aos olhos de Deus.


Olhe bem para uma criança que não teve sua vontade satisfeita. Aquela linda criança grita com fúria, pula com raiva, esperneia revoltada, esmurra objetos a seu redor, olha com ira para aqueles que lhe privaram de sua vontade. Essa criança não espanca seus pais, porque não tem força para esmurra-los. Ela só não mata seus pais, porque não tem uma arma em suas mãos.


Para essa criança não se tornar uma espécie de Adolf Hitler, ela precisará ser conduzida aos atributos de Deus: Amor, bondade, longanimidade, justiça, fidelidade, benignidade etc. A família deverá, pouco a pouco, alertar a criança quanto a maldade presente no coração, a fim de minimizar ao máximo o pecado em suas mãos. Para que essa criança não faça guerra contra as pessoas a seu redor, ela precisará aprender a fazer guerra contra seu próprio coração, submetendo-o à santidade de Deus.


Agora reflita em sua vida. Talvez, você nunca tenha matado, literalmente, uma pessoa. Talvez, você não tenha jogado, literalmente, uma bomba em alguma família. Talvez, você não tenha mandado tropas invadirem, literalmente, aquilo que pertence a outro. Talvez, você não tenha perseguido, literalmente, até a morte aqueles que confessam sua fé em Cristo. Talvez, você não tenha, literalmente, proclamado uma guerra internacional.


MAS...

Quantas vezes você maltratou profundamente seu esposo ou sua esposa? Quantas vezes você lhe privou de seus direitos conjugais? Quantas vezes você falou coisas horríveis? Quantas vezes você tratou seu cônjuge com ira, com desdém, com desprezo? Quantas vezes você matou seu cônjuge em seu coração? Quantas vezes você tornou o dia de seu cônjuge em um inferno?


E no trabalho, quantas vezes já disseminou o mal contra um colega para o prejudicar? Quantas vezes quis ser promovido às custas da desgraça alheia? Quantas vezes prejudicou alguém a ponto dessa pessoa perder o emprego? Quantas vezes, você que é chefe, tirou de seu funcionário o salário que lhe é de direito? E quantas vezes, você funcionário, quis matar seu chefe porque ele fez algo que você não gostou?


Quantas guerras são travadas no trânsito por causa de coisas bobas? Quantas vezes o erro de um motorista foi tratado com ações frenéticas e hostis? Quantas pessoas são atropeladas por motoristas que se acham “donos das ruas”, “donos do mundo”? Quantas vezes você tirou o direito do outro como se fosse o único que tem pressa para chegar em algum lugar?


Quantos líderes das mais diversas instâncias e áreas da sociedade tiram o direito de alguém? Quantos sindicalistas prejudicaram empresários por maldade? Quantas pessoas foram mortas por testes de grandes corporativas? Quantos advogados inocentaram o culpado, prejudicando profundamente pessoas inocentes? Quantos pessoas foram vilipendiadas por juízes corruptos?


Quantos pastores são gananciosos e ambiciosos ficando de olho na igreja que outro pastor está pastoreando? Quantas vezes se tira do que tem pouco para dar àquele que tem muito? Quantas vezes se briga pelo poder político eclesiástico? Quantas vezes usam a estrutura para beneficiar os amigos e privar os não-amigos? Quantos pastores são mortos por outros pastores?


Quantos cristãos vivem à espreita de seus pastores, como quem aguarda o momento certo para dar o bote? Quantas ovelhas falam mal de seus pastores criando grandes problemas para eles sem que tenham feito qualquer mal para elas? Quantas pessoas matam seus pastores dentro das igrejas, destruindo a vida daquele que Deus usa para lhes ensinar a Palavra de Deus com fidelidade? Quantas ovelhas são ingratas e cruéis no trato com o pastor? Quantos presbíteros deixam profundas marcas nas famílias dos pastores perseguindo-as para satisfazer o orgulho do próprio coração?


Quantos cristãos se destroem diariamente? Quantos cristãos se acham melhores do que os outros e se dispõe a passar por cima dos demais? Quantos arrotam arrogância por causa de erudição ou de seus bens e dinheiro? Quantos brigam para ter os melhores cargos dentro das igrejas? Quantos tentam se destacar a qualquer custo?


Por mais horríveis que sejam todas essas perguntas retóricas acima, todas elas se baseiam na realidade. É possível se provar todas elas. Portanto, a única diferença entre o aparente cidadão comum e Vladimir Putin é aquilo que está ao alcance de cada um. Dê a cada pessoa o mesmo poder que Putin possui em suas mãos e todos verão a amplitude da maldade do coração das pessoas. Muitas guerras horrendas não foram travadas no mundo, porque as pessoas não tinham as condições para isso.


Portanto, para mudar a triste realidade atual, é preciso mudar seu coração. O coração é a fonte de todos os pensamentos, de todas as palavras e de todas as atitudes. E para mudar seu coração é preciso conduzi-lo à presença do graciosíssimo Deus, a fim de sobrepor a maldade que está dentro de você por meio dos santos e puros atributos de nosso Criador. É preciso que a imagem divina que está no homem seja restaurada para que as pessoas vivam mais parecidas com Deus do que com o mal (2Co.3.18).


É bonito ver pessoas orando pela Ucrânia! É bonito ver pessoas gritando contra essa guerra! Mas, não é nenhum pouco bonito ver essas mesmas pessoas matando seu próximo no dia a dia, sutilmente. Não é nada bonito ver pessoas, famílias e igrejas serem bombardeadas por todo tipo de maldade para satisfazer o orgulho, o egoísmo, a presunção, a ambição e a avareza dos mesmos que gritam contra os atos repreensíveis de Putin.


Portanto, ore pela Ucrânia! Mas, também ore por si mesmo! Ore para Deus mudar a sociedade a partir de você. Peça a Deus que mude seu comportamento como marido ou como esposa, como pais ou como filhos. Peça a Deus que mude suas atitudes no trânsito, na escola e no trabalho. Peça a Deus que mude seu jeito de agir como pastor e como ovelha. Não podemos alimentar uma hipocrisia naqueles que assistem aos tristes episódios do massacre da Ucrânia. Devemos observar que, em seus dias, Jesus condenou até mesmo as orações dos fariseus, pois oravam com hipocrisia (Lc.18). A oração deve vir do mais puro e sincero desejo consciente de um coração que conhece e vive em Cristo Jesus.


Essa guerra é um espelho da verdadeira realidade presente na sociedade mundial. Essa guerra é um verdadeiro espelho da realidade das relações conjugais, das relações familiares, das relações eclesiásticas, das relações trabalhistas, das relações cotidianas das pessoas, em geral. Putin não é o único que joga bombas na cabeça de pessoas inocentes, matando cidadãos comuns sem qualquer misericórdia. O apóstolo Paulo disse: “Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro” (Rm.8.36).


Por meio dessa guerra, Deus mostra ao mundo quão terrível é o pecado que você comete todos os dias contra as pessoas a seu redor, sem se importar com os danos que causa a elas. Quantos maridos e esposas, pais e filhos, motoristas e pedestres, pastores e ovelhas são mortos por causa da maldade de seu coração? Portanto, é preciso orar de modo certo, orar com o coração quebrantado, orar olhando não apenas para o outro, mas, sobretudo, para si. É preciso orar de modo semelhante à letra de um antigo corinho: “A começar em mim, quebra corações. Pra que sejamos todos um, como Tu és em nós.”

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