Cuidado com a avareza, a ambição e a inveja


Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade. Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca. Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento” (Tg.3.14-17)


Não se engane, Satanás quer destruir a igreja e usará todas as pessoas e meios para conseguir isso! O apóstolo Pedro advertiu quanto ao cuidado com as artimanhas de Satanás: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo” (1Pe.5.8-9).


O problema aumenta quando os cristãos estão despreparados para combater o mal (Gl.1.6-9). A impressão que temos é que vivemos em uma geração que não crê nem mesmo naquilo que professa. Ou seja, existe no cristianismo um certo ceticismo evangelical em que cristãos falam da soberania de Deus, mas não aplicam isso à realidade; falam de anjos, mas não creem em sua presença; falam do poder do evangelho para converter o pecador, mas tentam dar uma ajudinha ao Espírito Santo; falam da luta contra as trevas, mas são presas fáceis de Satanás.


Mas, apesar da descrença, a luta contra o império das trevas é real (Mt.16.18; Ef.6.10-18; Cl.1.13). E para destruir a igreja, Satanás usa, também, sentimentos pecaminosos que brotam, por diversas razões, nos corações de pessoas que vivem dentro das igrejas locais. Por isso, precisamos estar atentos ao próprio coração e, também, às ações dos demais membros e congregados da igreja, afinal é um dever de todo verdadeiro cristão lutar contra tudo o que se levanta contra Deus e contra a igreja de Jesus. Vários pecados como o orgulho e o rancor podem contaminar e destruir igrejas (Ef.4.31-32; 1Pe.5.5-6), mas gostaríamos de tratar de três outros dos mais comuns sentimentos pecaminosos: AVAREZA, AMBIÇÃO e INVEJA (Gl.5.19-21).


AVAREZA é o amor (idolatria) ao dinheiro: “Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (1Tm.6.10). Por causa de dinheiro, há pessoas querendo ser pastor; há cristãos se vendendo; há aqueles que se desviam; há, ainda, homens e mulheres dividindo igrejas. O amor ao dinheiro é uma comum idolatria (Cl.3.5) e Jesus advertiu: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt.6.24).


Foi por causa da avareza que Balaão se vendeu, ensinando Balaque a levar os filhos e Israel ao pecado, a fim de que Deus os castigasse (Ap.2.14), mesmo sabendo que o Senhor havia escolhido e abençoado a Israel. Assim como Balaão, há muitos que têm o “coração exercitado na avareza, filhos malditos; abandonando o reto caminho, se extraviaram, seguindo pelo caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça” (2Pe.2.14-15). No final, Balaão foi morto junto aos midianitas pelas mãos do povo de Israel.


Para vencer a avareza, o cristão precisa amar única e exclusivamente a Deus de todo seu coração (Dt.6.4-5). Dinheiro pode trazer benefícios e conforto, mas não compra a vida eterna nem a felicidade que Deus tem para dar. Além disso, é importante ter a certeza de que Deus cuida de seu povo e está pronto para ouvir todas as petições da igreja (Fp.4.6): “Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb.13.5).


AMBIÇÃO é o desejo pelo poder: “Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo” (Tg.3.1). O caráter fortemente político das denominações abriu uma enorme brecha para Satanás usar a ambição do coração dos pecadores, a fim de destruir a igreja de Jesus. Os homens querem poder, querem glória, querem dominar sobre os outros, querem se destacar, querem status, querem ser louvados e servidos. Consequentemente, os homens farão de tudo para satisfazer a ambição do coração. Por isso, há competição entre pastores; por isso, há tantas mentiras e jogadas políticas; por isso, há quem vá atrás de membros nas igrejas com o fim de cativar essas pessoas jogando-as contra outros.


Foi assim que Absalão, filho de Davi, conquistou o coração de muitos em Jerusalém, a fim de joga-los contra Davi, seu pai. Ele fingia ser alguém prestativo e preocupado com o bem alheio. Então, induzia o povo contra seu pai, Davi. Pouco a pouco Absalão conquistou o povo (2Sm.15.1-13). Todavia, o que essas pessoas não consideram é que Deus amava Davi e lutou por Davi até que Absalão foi derrotado e morto (2Sm.18.14-15). Deus não se engana com as bajulações e mentiras dos enganadores nem deixará que Satanás e seus instrumentos façam mal a seus filhos, sem que Deus tenha um grande propósito com isso.


A ambição é mais forte que a avareza e costuma andar lado a lado a esta. Para ter o poder o homem é capaz de gastar fortunas, sabendo que quanto mais poder tiver mais dinheiro também terá. Simão, que praticava a mágica em Samaria (At.8.9) se aproximou dos apóstolos e abraçou a fé, sendo batizado junto com as multidões (At.8.12-13). Todavia, motivado pela ambição, cobiçou o poder de Deus concedido aos apóstolos que impunham as mãos para que os batizados recebessem o Espírito Santo (At.18.18). Por sua ambição, Simão tentou comprar o dom do Espírito de Deus, ofendendo profundamente a Deus (At.8.18-24).


Você não precisa de poder, não precisa estar acima das outras pessoas, pois a graça do Senhor basta. Foi isso que Deus ensinou para Paulo, com o fim de o apóstolo não se ensoberbecer: “Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (2Co.12.9). Fique feliz em ver Deus ser glorificado e em ser instrumento de Deus, então não ficará buscando glória dos homens. Deixe Deus trabalhar em sua vida e por meio de sua vida, então você se alegrará nEle.


INVEJA é o desgosto-cobiça por causa do bem-estar do outro. A inveja levou Caim a matar Abel; Levou Corá e diversos homens de Israel a se voltarem contra Moisés e Arão, pois queriam assumir o lugar deles (Nm.16.1-3). Não foi suficiente para Corá o fazer parte de Israel e ser abençoado pelo Deus de Israel. E por causa de Corá, morreram “catorze mil e setecentos” (Nm.16.49), “a terra debaixo deles se fendeu, abriu a sua boca e os tragou com as suas casas, como também todos os homens que pertenciam a Corá e todos os seus bens. Eles e todos os que lhes pertenciam desceram vivos ao abismo; a terra os cobriu, e pereceram do meio da congregação” (Nm.16.31-33)


Tanto Jesus quanto Paulo foram alvos da inveja dos judeus. Os evangelhos nos dizem que, por inveja, os judeus entregaram Jesus para ser morto (Mt.27.18). Lucas nos conta, em Atos dos apóstolos, que os judeus foram tomados por inveja ao verem que Paulo e Silas convenciam multidões a se converterem a Jesus Cristo: “Os judeus, porém, movidos de inveja, trazendo consigo alguns homens maus dentre a malandragem, ajuntando a turba, alvoroçaram a cidade e, assaltando a casa de Jasom, procuravam trazê-los para o meio do povo” (At.17.5).


A inveja pode levar pessoas a diversos outros pecados, tanto pelo desgosto por causa do sucesso alheio quanto pela cobiça, desejando ter o que o outro tem. Pessoas matam, roubam, procuram meios de derrubar, disseminam calúnias, metem e maldizem por causa de inveja, pois não estão contentes com o que elas têm. Até as amizades dos outros podem ser cobiçadas quando o coração de uma pessoa está amargurado e descontente. Hebreus nos adverte: “nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados” (Hb.12.15)


Para vencer a inveja é preciso ter o contentamento em Deus, no coração. Como disse Paulo: “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1Tm.6.8). Mulheres que não estão contentes com o que têm ficam olhando para a vida de outras mulheres. Homens que não estão contentes com o que têm ficam cobiçando a vida de outros homens. Mas, quando aprendemos “a viver contente em toda e qualquer situação” (Fp.4.11), nosso coração se alegra tanto com o pouco quanto com o muito, evitando, assim, a cobiça que é a quebra do décimo mandamento: “Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo” (Ex.20.17).


Nos dias dos apóstolos, a igreja sofreu muito com os pecados da avareza, da ambição e da inveja. As cartas às sete igrejas de Apocalipse nos revelam não somente a perseguição sofrida pelo povo de Deus, mas, também, os problemas que surgiram dentro da própria igreja. Por isso, Paulo, Pedro, Tiago, João e o autor aos hebreus advertiram os cristãos a terem cuidado com essas coisas. Boa parte das brigas e divisões que ocorreram, e ocorrem no cristianismo, foram, e são, causadas por esses pecados.


Ser instrumento de Satanás para destruir a igreja que Jesus Cristo salvou com seu próprio sangue é um pecado gravíssimo. Quem assim procede está se levantando contra o próprio Deus e verá o poder de Deus se levantando para o destruir: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado” (1Co.3.16-17)


Portanto, antes de se deixar levar por avareza, ambição e inveja, fazendo mal à noiva de Cristo, a igreja de Jesus, pense bem se você está pronto para suportar a ira de Deus, pois o Senhor não terá por inocente aquele que tenta destruir sua igreja. Tudo o que você precisa está em Deus! E Deus pode usar você para ser bênção para a igreja dEle. Então, peça a Deus que lhe dê graça, a fim de ser bênção, pois esse é o propósito do Senhor para seus filhos. Por conseguinte, cuide da igreja do Senhor lutando contra esses e outros pecados que aparecerem no meio do povo de Deus. Desse modo, você estará ajudando a preservar a noiva do Cordeiro, para a glória do Senhor.


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