O conhecimento de Deus


Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja” (Jo.17.26)


Em certa medida, podemos dizer que tudo na criação pode ser estudado pelo homem. À medida que a tecnologia avança, mais longe e mais fundo o homem vai em sua capacidade de estudar o universo: estudar as estrelas e os planetas, estudar os oceanos e os seres marinhos, estudar o corpo e a mente humana.


Isso não significa que o homem consiga compreender bem tudo aquilo que ele estuda, pois, além das limitações quanto às ferramentas, nem sempre a percepção dos sentidos é precisa e, também, a dureza do coração pode ser um empecilho, como podemos ver em algumas conclusões “evolucionistas” equivocadas, feitas a partir da observação das mudanças existentes na natureza.


E mesmo se o homem conseguisse estudar e compreender corretamente toda a criação a seu redor, existe um SER que não faz parte da criação, pois está acima dela, que jamais poderá ser estudado pelo ser humano de modo semelhante ao que é feito com a criação. Este SER é Deus, o Criador de todas as coisas, o Senhor de todo o universo onde a minúscula bolinha chamada Terra gira timidamente abrigando os homens criados à imagem e semelhança do glorioso Deus.


Deus é Espírito, portanto não pode ser tocado, não pode ser visto, não pode ser cheirado, não pode ser saboreado nem mesmo ouvido, a menos que Ele queira falar. Logo, Deus passa completamente desapercebido pelos sentidos humanos, ainda que Ele ocupe todos os lugares do universo, pois Ele é maior do que o universo: “Eis que ele passa por mim, e não o vejo; segue perante mim, e não o percebo” (Jó.9.11). “Eis que os céus e até o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei” (2Cr.6.18).


Mas, alguém pode dizer: podemos estudar Deus por meio da razão. Por causa do senso do divino que Deus colocou no coração de todos os homens, podemos todos raciocinar sobre a existência de Deus e alguns de seus atributos: poder, sabedoria, perfeição etc. Mas, muitos outros atributos de Deus somente podem ser conhecidos caso Deus queira revelar ao homem, tal como a graça, a misericórdia, o amor etc. Esses atributos foram manifestos na história por meio das obras de Deus e revelados a nós através da Escritura Sagrada, porque a razão não é capaz de inferir todo o SER de Deus.


Contudo, Deus nos deu duas formas de conhece-lo. A primeira, ainda que mais rudimentar para revelar o SER de Deus, é a criação (Sl.19.1-6). Tudo o que Deus fez revela a Sua esplêndida glória, sua sabedoria e seu grandioso poder. Quando olhamos para a criação de Deus somos conduzidos a refletir na necessária existência de um SER Todo-Poderoso capaz de criar todas as maravilhas a nosso redor. A criação nos leva a pensar na profundidade da sabedoria do Criador, pois até o mais simples ser vivo possui complexa organização biológica, como máquinas orgânicas projetadas por uma mente incrivelmente inteligente.


Eu penso, logo quem me trouxe à existência é extremamente inteligente, muito mais do que o homem mais inteligente. Devemos considerar que o ser humano está tentando, há algum tempo, criar um robô capaz de pensar por meio de uma Inteligência Artificial. Confesso considerar impossível a criação de uma verdadeira inteligência artificial capaz de se desenvolver sozinha e vivenciar todo o subjetivismo que envolve nossa intelectualidade. O homem programa máquinas para cumprirem um cronograma, semelhante ao que acontece com os animais. E quando encontramos um robô capaz de realizar diversas atividades sozinho, ficamos impressionados com a capacidade daqueles que o projetaram. Não deveríamos agir diferente em relação ao Criador do universo.


Também devemos mencionar o fato de que todo o universo é regido por leis que possibilitam a harmonia na criação. Essa harmonia pode ser vista na cadeia alimentar de uma natureza projetada para existir por muito tempo de modo autossustentável. Se todos os animais fossem carnívoros, não sobraria ninguém para contar a história. Se não houvessem os micro-organismos responsáveis pela decomposição, o planeta seria hoje um grande cemitério. Cada ser vivo tem um papel importante que coopera com o bom funcionamento do ecossistema na Terra, como que um esplêndido gestor tenha distribuído os papeis com perfeita sabedoria para que a engrenagem não pare e ainda possa se renovar.


Também podemos ver harmonia na macro criação, nosso sistema solar. Tempo, distância, gravidade, velocidade, calor, rotação e translação são leis precisas que regem nosso sistema solar possibilitando vida em nosso pequeniníssimo planeta. Qualquer mudança nessas leis acabaria com a vida na Terra. Portanto, os cálculos matemáticos estabelecidos para o funcionamento de tudo são precisos e extremamente sábios. Logo, o universo exige que uma mente muito brilhante tenha elaborado tudo com excelência.


Portanto, a criação aponta para uma mente fantasticamente sábia, um engenheiro minuciosamente detalhista que criou todas as coisas com excelência. Afinal, qualquer pessoa analfabeta sabe que objetos complexos como um computador necessitam de mentes inteligentes por trás para projetá-los, organiza-los e fazê-los funcionar. Nunca vi alguém capaz de dizer que um computar possa ser construído fortuitamente.


Mas, Deus escolheu revelar profunda e amplamente seu SER e suas obras por meio de um livro escrito pouco a pouco ao longo de milhares de anos (considerando o início da revelação oral no Éden), de modo que cada parte do livro fosse suficiente para que os homens tivessem o conhecimento necessário de Deus para a salvação deles por meio da fé. Assim, Deus usou homens para escrever e, também, para preservar esse grande livro que hoje chamamos de Bíblia.


Portanto, Deus não é estudado pelo ser humano. Deus se revela ao homem conforme sua própria vontade. E Deus quis se revelar por meio de obras e através de palavras. Foi assim que Deus chamou a atenção de Moisés no Sinai, aparecendo-lhe através de uma sarça que ardia em chamas sem ser consumida (Ex.3.2-3). Logo, em seguida, Deus falou com Moisés, do meio da sarça, revelando um pouco de si mesmo para aquele pecador, a fim de que Moisés transmitisse esse conhecimento de Deus para todas as gerações, de modo escrito (Ex.3.4).


Conhecemos de Deus aquilo que Ele quis revelar para nós, quer através da criação (revelação natural) quer por meio da Escritura Sagrada (Revelação Especial). O que Deus não quis revelar ao homem não é possível conhecer. Assim, todo nosso conhecimento de Deus depende completamente do próprio Deus. Logo, não podemos estudar Deus, apenas podemos aprender aquilo que Ele quis que conhecêssemos dEle. Isso exigirá de nós contentamento e gratidão, para que não cometamos o pecado de tentar afirmar sobre Deus algo que Ele não nos revelou acerca de seu SER e de suas obras.


Conhecer a Deus implica em poder se relacionar com Ele como Ele é, do jeito que Ele gosta e como Ele quer. O conhecimento de Deus possibilita conversarmos adequadamente com Ele e entendermos aquilo que Ele nos fala. Conhecer a Deus é saber de seu amor, de sua graça, de sua santidade, de sua justiça, de sua bondade, de sua misericórdia, de seu poder, de seu cuidado etc. Conhecer a Deus possibilita ao coração do homem o descanso em tempos de tribulações, a alegria nas angústias da vida e a viva esperança diante da jornada sofrida nesse mundo que jaz no maligno (1Jo.5.19). O conhecimento do Ser de Deus e de suas obras proporciona ao coração do ser humano todo o consolo e ânimo necessários para viver uma vida saudável e cheia de esperança.


Conhecer a Deus é poder andar pelo vale da sombra da morte com segurança na certeza de que Deus está sempre presente para nos fortalecer e até nos carregar em seus braços quando as forças faltarem (Sl.23.4). É saber que a disciplina de Deus é fruto de seu amor para conosco (Hb.12) e que seu castigo é sempre reto e justo (Sl.51). Conhecer a Deus é ser conduzido à plena confiança no Senhor, principalmente quando tudo a nosso redor parece querer nosso mal. É saber que Deus nunca abandona os que o buscam (Hb.13.5-6) e que Ele trabalha para aqueles que nEle esperam (Is.64.4).


Você quer conhecer a Deus? Por que você quer conhece-lo? O conhecimento de Deus visa, antes de tudo, o pleno relacionamento com Ele. Então, por meio de Cristo, vá à Palavra do Senhor, em humilde e plena dependência do Espírito Santo, a fim de ouvir tudo o que Ele quis dizer ao homem. Esse conhecimento mudará sua vida e lhe dará toda a segurança que você precisa para perseverar diante dos desafios que aparecerem no decurso de sua história. Considere profundamente que o conhecimento de Deus, revelado a nós graciosamente, é o próprio Criador se dando amorosamente para as suas criaturas.

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